03 janeiro 2018

03/01/18 - Nascido no Brasil, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga (Dom Pedro II) foi criado, a partir dos 5 anos de idade, por tutores designados pela Assembleia brasileira, pois seu pai, Dom Pedro I, abdicou do trono, retornando à Portugal com o resto da família para enfrentar seu irmão Dom Miguel, o Usurpador. Veja também: A morte da Imperatriz Leopoldina - A primeira mulher a comandar o Brasil

Nunca mais viu os pais. Dom Pedro II era chamado de “o órfão da nação”: uma criança criada pelo Governo para ser um monarca, com um enorme peso nos ombros, visto que a ausência de seu pai levara o país à pressão de movimentos armados separatistas. No entanto, durante seu governo, praticou a conciliação política apartidária, consolidando e mantendo a coesão territorial do país.

Era um educador que “invadia” de surpresa as aulas em seu colégio, pedia licença ao professor, e ministrava ele mesmo a aula, independentemente de qual fosse a matéria, pois dominava seu conteúdo.

“Prefiro perder a coroa a tolerar a continuação do tráfico de escravos”.

De fato, no ano seguinte à assinatura da Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil, o golpe republicano sem nenhum apoio popular, derrubou o Império. Mentiras e traição. A grande maioria dos soldados que integravam as tropas golpistas em 15 de novembro não estava consciente de que se pretendia derrubar a Monarquia. Desejando evitar derramamento de sangue, o velho Imperador Dom Pedro II preferiu não resistir ao golpe e partiu para o exílio com toda a sua família em 15 de novembro de 1889. Os republicanos ordenaram que o embarque da família imperial fosse feito de madrugada. Chovia.


Dom Pedro II morreu no início da madrugada de 5 de dezembro de 1891. Acabara de completar 66 anos e estava hospedado no Hotel Berdford, lugar relativamente modesto situado na rua de l’Arcade, em Paris. No quarto se achavam cerca de trinta brasileiros, incluindo a princesa Isabel e o marido, conde d’Eu. O governo francês lhe deu honras de chefe de Estado com exéquias realizadas na igreja Madeleine, o que irritou profundamente os republicanos brasileiros. Dali o caixão seguiu de trem para Lisboa, chão de seus antepassados,
onde foi sepultado no mausoléu real de São Vicente de Fora, ao lado da esposa, Teresa Cristina.

Certo dia, Dom Pedro II, realizou um longo passeio pelo rio Sena em carruagem aberta, apesar da temperatura extremamente baixa. Ao retornar para o hotel Bedford à noite, sentiu-se resfriado. A doença evoluiu nos dias seguintes até tornar-se uma pneumonia. Em 05 de dezembro de 1891, França, Paris, na madrugada, as 00:35 horas, em seu quarto do Hotel Bedford, acompanhavam o Imperador, sua filha Dona Isabel com o esposo Conde D’Eu e os filhos Príncipes: Dom Pedro de Alcântara, Dom Luiz, Dom Antonio, Dom Pedro Augusto e Dom Augusto Leopoldo, suas irmãs Januária e Francisca com seus maridos (respectivamente, o Conde de Aquila e Príncipe de Joinville), além de inúmeros brasileiros que moravam em Paris ou que para lá foram seguindo-o no exílio.

Em um suspiro final Pedro II disse a todos:

"Que Deus conceda-me estes últimos desejos - paz e prosperidade para o Brasil ..."

- Falecendo em seguida.
- Morre Dom Pedro II em Paris, França, no exílio.

Ele estava tão enfraquecido que ele sofreu nenhuma dor.:

De acordo com a certidão de óbito a causa mortis foi pneumonia aguda no pulmão esquerdo.

Pedro II morreu sem abdicar, e a princesa Isabel herdou o direito ao trono do Império do Brasil.

A princesa Isabel solenemente beijou as mãos de seu pai, e depois disso, todos os presentes, incluindo dezenas de brasileiros beijaram sua mão, reconhecendo-a como a Imperatriz de jure do Brasil.

O Barão do Rio Branco, que também estava presente, escreveu mais tarde:

"Os brasileiros, trinta e alguma coisa, foi na linha e, um por um, jogou água benta sobre o cadáver e beijou a mão que como eu fiz estavam dizendo adeus ao grande morto. "

O senador Gaspar da Silveira Martins chegou logo após a morte do Imperador e, quando viu o corpo de seu velho amigo, chorou convulsivamente.

No dia da morte do imperador, Enquanto o corpo estava sendo preparado, ao abrir o armário em que estavam seus pertences pessoais, o conde d’Eu encontrou um pequeno embrulho contendo uma substância escura e um bilhete com a seguinte mensagem:

"É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria.

As últimas sete palavras dessa frase indicam que, até o leito de morte, dom Pedro II alimentou secretamente a ilusão de um dia retornar ao Brasil. Isso, de fato, aconteceria, mas só trinta anos mais tarde.

A Princesa Isabel desejava realizar uma cerimônia discreta e íntima, mas acabou por aceitar o pedido do governo francês de realizar um funeral de Estado.

Na França, Paris, enquanto o governo francês queria prestar homenagens de chefe de estado ao Imperador, a representação diplomática do Brasil, na França, tentava convencer o governo francês a não fazer isso, pois poderia ferir suscetibilidades dos governantes republicanos brasileiros.

O governo brasileiro, dos republicanos golpistas, tentou, em vão, impedir que a França fizesse o funeral do Imperador como Chefe de Estado, rogando para que a bandeira Imperial não fosse hasteada e que os símbolos antigos não fossem respeitados. De nada adiantou o governo francês prestou honras grandiosas a Dom Pedro II e a Família Imperial.

No dia seguinte, milhares de personalidades compareceram a cerimônia realizada na Igreja de la Madeleine. Além da família de Pedro II, estavam: Rainha Vitoria, Francisco II, ex-rei das Duas Sicílias, Isabel II, ex-rainha da Espanha, Luís Filipe, Conde de Paris, e diversos outros membros da realeza européia. Também estavam presentes o Presidente Sadi Carnot, o Presidente dos Estados Unidos, os presidentes do Senado e da Câmara, assim como senadores, deputados, diplomatas e outros representantes do governo francês. Quase todos os membros da Academia Francesa, Dr. Freud, Thomas Edison, Graham Bell, Pasteur, Friedrich Nietzsche entre tantos intelectuais da época e todos da Academia de Ciências Morais e da Academia de Inscrições e Belas-Artes também participaram. Também entre os presentes estavam Eça de Queiroz, Alexandre Dumas, Gabriel Auguste Daubrée, Jules Arsène Arnaud Claretie, Marcellin Berthelot, Jean Louis Armand de Quatrefages de Breau, Edmond Jurien de la Gravière, Julius Oppert, Camille Doucet, e muitos outros personagens notáveis. Representantes de outros governos, tanto do continente americano, quanto europeu se fizeram presentes, além de países longínquos como Turquia, China, Japão e Pérsia. A Associação Comercial do Rio de Janeiro, os advogados do Rio de Janeiro e o Jornal do Commércio enviaram representantes aos funerais. Só se notou a ausência de um representante do governo brasileiro. Em seguida o caixão foi levado em cortejo até a estação de trem, de onde partiria para Portugal.

Embora republicano, o governo francês tinha a maior consideração pelo Imperador do Brasil porque ele fora o primeiro Chefe de Estado a prestigiar a França, visitando-a oficialmente, após a derrota para a Prússia em 1870. Para evitar incidentes políticos, o Governo decidiu que o enterro seria oficialmente realizado pelo fato do Imperador ser grã-cruz da Legião de Honra, mas com as pompas devidas a um monarca. Como última homenagem formal, o governo francês do Presidente Sadi Carnot, resolveu mesmo oferecer a Dom Pedro II um funeral de Chefe de Estado.

A reação da imprensa no exterior foi simpática ao monarca:

O jornal New York Times elogiou Pedro II, considerando-o:

“O mais ilustrado monarca do século” e afirmando que “tornou o Brasil tão livre quanto uma monarquia pode ser”.

The Herald escreveu:

“Numa outra era, e em circunstâncias mais felizes, ele seria idolatrado e honrado por seus súditos e teria passado a história como ‘Dom Pedro, o Bom”.

The Tribune afirmou que seu “reinado foi sereno, pacífico e próspero”.

The Times publicou um longo artigo:

“Até novembro de 1889, acreditava-se que o falecido Imperador e sua consorte fossem unanimemente adorados no Brasil, devido a seus dotes intelectuais e morais e seu interesse afetuoso pelo bem-estar dos súditos [...]

Quando no Rio de Janeiro ele era constantemente visto em público; e duas vezes por semana recebia seus súditos, bem como viajantes estrangeiros, cativando a todos com sua cortesia”.

O Weekly Register, por sua vez:

“Ele mais parecia um poeta ou um sábio do que um imperador, mas se lhe tivesse sido dada a oportunidade de concretizar seus vários projetos, sem dúvida teria feito do Brasil um dos países mais ricos do Novo Mundo”.

O periódico francês Le Jour afirmou que:

“Ele foi efetivamente o primeiro soberano que, após nossos desastres de 1871, ousou nos visitar. Nossa derrota não o afastou de nós. A França lhe saberá ser agradecida”.

O The Globe asseverou que ele “era culto, ele era patriota; era gentil e indulgente; tinha todas as virtudes privadas, bem como as públicas, e morreu no exílio”.

Joaquim Nabuco, correspondente do Jornal do Brasil, escreveu por ocasião das exéquias suntuosas de D. Pedro II em Paris:

"Mais do que isso, infinitamente, D. Pedro II preferia ser enterrado entre nós, e por certo que o tocante simbolismo de fazerem o seu corpo descansar no ataúde sobre uma camada de terra do Brasil interpreta o seu mais ardente desejo. Ao brilhante cortejo de Paris ele teria preferido o modesto acompanhamento dos mais obscuros de seus patrícios, e daria bem a presença de um dos primeiros exércitos do mundo em troca de alguns soldados e marinheiros que lhe recordassem as gloriosas campanhas nas quais o seu coração se enchera de todas as emoções nacionais.
Mas foi sua sorte morrer longe da Pátria. É uma consolação, para todos os brasileiros que veneram o seu nome, ver que ele, na sua posição de banido, recebeu da gloriosa nação francesa as supremas honras que ela pôde tributar. No dia de hoje o coração brasileiro pulsa no peito da França."

A viagem prosseguiu até a Igreja de São Vicente de Fora, próximo a Lisboa, onde o corpo de Pedro II foi depositado no Panteão dos Bragança em 12 de dezembro.

Os membros do governo republicano brasileiro, "temerosos da grande repercussão que tivera a morte do Imperador", negaram qualquer manifestação oficial. Contudo, o povo brasileiro não ficou indiferente ao falecimento de Pedro II, pois a "repercussão no Brasil foi também imensa, apesar dos esforços do governo para a abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos".

No Brasil, Rio de Janeiro, após ter sido noticiada a morte do Imperador, os jornais da Rua do Ouvidor e as casas comerciais haviam hasteado a bandeira a meio pau, o que provocou conflitos com a polícia e o novo governo republicano instituído, que queria obrigar a retirada das bandeiras daquela posição.

Foram realizadas "missas solenes por todo o país, seguidas de pronunciamentos fúnebres em que se enalteciam D. Pedro II e o regime monárquico".

O povo manifestou-se solidário com as homenagens ao Imperador D. Pedro.

Em 07 de dezembro de 1891, de acordo com o dr. João Mendes de Almeida, em artigo escrito:

“A notícia do passamento de S. M. o Imperador D. Pedro II vem pôr à prova os sentimentos da nação brasileira com a dinastia Imperial. A consternação tem sido geral”.

“A agora República se calou diante da força e do impacto das manifestações”.

A polícia foi enviada para impedir manifestações públicas de pesar, “provocando sérios incidentes [...] enquanto o povo se solidarizava com os manifestantes”.

No mesmo dia no Rio de Janeiro, uma reunião popular com o objetivo de homenagear o falecido imperador foi realizada, tendo sido organizada pelo Marquês de Tamandaré, Visconde de Ouro Preto, Visconde de Sinimbu, Barão de Ladário, Carlos de Laet, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Rodolfo Dantas, Afonso Celso.

Até mesmo os antigos adversários políticos de Pedro II elogiaram o monarca deposto, mesmo que “criticando sua política, ressaltavam sempre seu patriotismo, honestidade, desinteresse, espírito de justiça, dedicação ao trabalho, tolerância, simplicidade”.

Quintino Bocaiúva, um dos principais líderes republicanos, falou:

“O mundo inteiro, pode-se dizer, tem prestado todas quantas homenagens tinha direito o Sr. Dom Pedro de Alcântara, conquistadas por suas virtudes de grande cidadão”.

Alguns “membros de clubes republicanos protestaram contra o que chamaram de exagerado sentimentalismo das homenagens", vendo nelas manobras monarquistas.

- Foram vozes isoladas.

O governo republicano do Brasil não esteve representado, mas vários republicanos golpistas ou não, estavam presentes.

Na imagem vemos Dom Pedro II em seu leito de morte, 6 de dezembro de 1891: o livro embaixo do travesseiro sob sua cabeça simboliza que, mesmo após a morte, sua mente descansa sobre o conhecimento.

“O livro embaixo do travesseiro sob sua cabeça simboliza que, mesmo após a morte, sua mente descansa sobre o conhecimento.”

Mesmo as repúblicas da América Latina, reconheciam a grandeza do Império Brasileiro, como podemos ver nesses exemplos:

- Um embaixador brasileiro foi comunicar que o Brasil não era mais uma Monarquia ao então presidente do Equador, este disse:

"Permita que lhe ofereça os meus pêsames: o Brasil acabou de cometer o erro mais fatal de sua história!"

- Quando a Monarquia foi derrubada, o presidente da Venezuela, Rojas Paúl, resumiu a queda do Império brasileiro em uma única frase:

"Foi-se a única república da América!".

Em 1920, o presidente Epitácio Pessoa revogou, finalmente, o decreto republicano que banira a família imperial do território nacional. Em 8 de janeiro do ano seguinte, os restos mortais do imperador e da imperatriz foram trasladados para a catedral de Petrópolis, onde se encontram atualmente.

O sangue que deixou de correr em 1889 verteu em profusão nos dez anos seguintes, resultado do choque entre as expectativas e a realidade da nova República, com episódios de massacres, degolas, guerras civis, e terror.

Musica da banda ARMAHDA em Homenagem ao nosso tão amado Imperador: goo.gl/gxTdhZ

(REFERÊNCIAS)

- HEITOR MONIZ – No tempo da Monarquia – Ed. Nacional, SP, 1929, 244 p.

- JORNAL DO BRASIL-O centenário de Pedro II - 2/12/1925, apud RIHGB, vol. 152, 1925

- JORNAL DO BRASIL-O centenário de Pedro II – RJ, 1892, 159 p.

- Biografia de D. Pedro II por José Murilo de Carvalho.

- Livro 1889 de Laurentino Gomes. Fonte: O Império das Américas - Facebook.


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