01 fevereiro 2017

O dia em que a homofobia foi para o banco dos réus

Em Curitiba, agressor de homossexual foi condenado. No ano passado, foram 15 assassinatos por ódio sexual.

01/02/17 - Na tarde da última sexta-feira, o Tribunal do Júri de Curitiba viveu um momento marcante, com o julgamento e condenação de um jovem a 14 anos de prisão pelo crime de ódio contra um homossexual. Apesar da pouca visibilidade dada ao caso, o momento era histórico. Naquele dia, a homofobia foi para o banco dos réus (e acabou condenada). Durante o julgamento, em que atuou a Promotoria de Justiça de Crimes Dolosos contra a Vida, houve a caracterização de “crime de ódio” , ou seja, motivado por preconceito.


O caso era sobre a violência sofrida por um cabeleireiro em 2015, atacado por dois jovens, na época com 21 e 22 anos. Os jovens e o cabelereiro, que era homossexual, se encontraram em um bar e mais tarde foram para a casa de um dos rapazes. No local houve um desentendimento e os agressores levaram o cabeleireiro para um local nos fundos da casa, onde passaram a agredi-lo com um facão, uma faca e um objeto contundente de ferro. A sessão de tortura foi gravada por câmera de celular e enviada a grupos de WhatsApp.

Quando a Polícia Militar chegou, os acusados alegaram que o cabeleireiro teria invadido a casa com intenção de furtar objetos. Durante as investigações, as alegações não se sustentaram. Veja ainda: "O que fazemos na vida ecoa na eternidade - Ad Sumus"

De acordo com a promotora de Justiça Ticiane Pereira, que atuou na acusação, a vítima sofreu uma série de lesões de até 30 centímetros, com grande concentração de ferimentos no crânio, e teve de tomar mais de 100 pontos pelo corpo por conta dos golpes de faca e facão. Felizmente, sobreviveu.

O caso do cabeleireiro curitibano, contudo, está longe de ser uma exceção. Segundo informações do Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016 um homossexual foi vítima de homicídio a cada 25 horas no País. Ao todo, foram 343 casos registrados no ano passado, uma alta de 8,2% na comparação com o ano anterior, quando haviam sido registrados 317 “homocídios”.

No Paraná, foram 15 casos registrados ao longo de 2016, 87,5% a mais do que em 2015, quando haviam sido oito registros. Curitiba responde por um terço dos casos, com cinco homocídios (haviam sido quatro em 2015).

“É preciso discutir gênero”, diz promotora

Para a promotora de Justiça Ticiane Pinheiro, a situação de violência contra homossexuais só poderá ser superada quando a sociedade tomar coragem para encarar o assunto, realmente tirá-lo do armário e colocá-lo em discussão. Nesse sentido, destaca a promotora, as marchas gays têm sido de grande importância, mas ainda é preciso fazer mais, principalmente diante da resistência legislativa para se discutir a matéria.

“Dizem que a homossexualidade não deve ser discutida porque senão vamos incentivar. Mas homossexualidade não é escolha, a pessoa já nasce assim”, afirma Ticiane. “É preciso discutir gênero, levar esse assunto para as escolas, e acabar com essa maluquice de se evitar falar da matéria enquanto as estatísticas estão só aumentando. É preciso enfrentar essa realidade, eles (homossexuais) precisam ter direito civil, e no Brasil ainda é um problema falar do assunto”.

De acordo com a promotora Ticiane Pereira, os crimes homofóbicos apresentam uma característica peculiar. “Em geral, os homicídios não são com um tiro na cabeça e acabou. Geralmente o método de execução é a infâmia. Já tivemos casos no Brasil com introdução de objetos no corpo da vítima e outro caso de um travesti que teve o nariz arrancado com tesoura, o que provocou uma hemorragia muito grande que o levou a morte. Todas essas características mostram uma linha comum de execução, com repetição das agressões, rosto deformado”, explica.

Votação teve decisão apertada

A votação dos jurados no caso, contudo, foi apertada e quase desclassificou o caso para lesão corporal leve. “O que demonstra também certa resistência de assumir isso como produto de fruta podre da nossa terra”, pondera a promotora e Justiça Ticiane Pinheiro. No final das contas, porém, a decisão foi favorável para a acusação por um voto de diferença. O réu foi condenado a 14 anos de prisão. O outro acusado de participar da agressão e da tortura ainda não foi julgado porque está no Hospital de Custódia, onde será submetido a exame de insanidade mental para verificação de suspeita de inimputabilidade.

FRASES

“Nesse caso, o trabalho do Ministério Público foi trazer a contextualização fática, sem melindrar as consciências de classse média. Foi um crime de ódio, vamos cair na real?! Acontece todos os dias, ou pelo menos a cada 28 horas”da promotora de Justiça Ticiane Pinheiro

“(O caso) É uma revelação de que essa realidade existe na nossa Curitiba e, pior, de que isso é cometido por gente jovem, que poderia estar pensando de forma diferente se tivesse a formação devida e se não tem a família falha. Demonstra que vivemos numa sociedade intolerante”da promotora de Justiça Ticiane Pinheiro. Fonte: BemParaná.



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O Cão De Guarda Notícias

Autor e Editor

Dennis Guerra Contato Whatsapp 11 95580-1702

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