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18 setembro 2016

Os Crimes do Preto Amaral - São Paulo Passado

18/09/16 - Por Edison LoureiroNa tarde do dia 4 de janeiro de 1927, José Augusto do Amaral estava nas imediações do antigo Mercado Municipal da Rua 25 de Março como sempre fazia nos últimos dias. 

A temperatura andava amena naqueles dias de verão paulistano, em torno de 24o e o céu encoberto. Sem ocupação fixa, Amaral vivia a cata de biscates, arriscando a sorte no jogo pelos arredores ou mesmo fazendo alguns pequenos furtos. Era um negro de estatura mediana, 56 anos e muito musculoso. Veja ainda: O 'Crime do Poço' e o Edifício Joelma
Mas havia várias noites que Amaral não conseguia dormir direito. Via fantasmas, especialmente o daquele jovem de seus 17 ou 18 anos. Outra noite foi dormir num albergue da Rua Mauá. Era um quarto com quatro camas, mas ele estava sozinho. De madrugada sentiu-se sufocado, abriu os olhos e viu a figura do jovem olhando fixamente para ele. Assustado, levantou-se e abriu a janela, mas com a claridade da lua arregalou os olhos, pois percebeu uma mão forte passar pela janela à procura de seu pescoço.
Apavorado, vestiu-se às pressas e saiu do quarto em busca do proprietário.
– Abra a porta, preciso viajar!

– Está bêbado? São três horas da manhã! Volte a dormir.

Amaral obedeceu, voltou ao quarto e deitou-se. Mas continuou a ver o jovem lá, sentado numa das camas desocupadas com o olhar fixo nele. Correu de volta ao proprietário e exigiu que abrisse a porta, saiu e perambulou pela cidade, sem rumo até o amanhecer.
Vivia atormentado por essas visões. Por este motivo não ofereceu resistência nem tentou fugir quando viu os policiais. Entregou-se calmamente quando, às quatro horas da tarde, eles o encontraram.
Tudo começou no entardecer do primeiro dia do ano de 1927 num subúrbio de São Paulo. No quilômetro 39 da estrada velha de São Miguel, perto de uma localidade chamada Villa Esperança2.  Foi lá que um passante avistou o cadáver de um garoto vestido somente com os restos de uma camisa meio escondido no mato à beira do caminho. Correu em busca do posto de gasolina que ficava perto, a uns dois quilômetros da Penha, era o último que havia naquela velha estrada até São Miguel.
A comunicação demorou a chegar à Repartição Central da Polícia. Somente às 21h o comissário de serviço ficou sabendo da ocorrência, e, pelas circunstâncias do comunicado achou mais conveniente notificar a Delegacia de Segurança Pessoal do Gabinete de Investigações. Assim é que às 23h chegaram as autoridades e mais o médico legista, Dr. Azambuja Neves ao local indicado. Um pequeno atalho da estrada de S. Miguel.
O menino era branco, muito claro, de olhos verdes e cabelos castanhos, aparentava ter treze anos e vestia apenas uma camisa xadrez curta e esfarrapada. No pescoço um cinto de brim estava fortemente amarrado. O médico constatou que fora estrangulado e que havia sinais de estupro. O crime ocorreu entre 15 e 16 horas. Devido à escuridão da lua nova e o tempo encoberto, não foram encontradas as outras vestes do menino naquela noite.

Já eram duas da madrugada quando voltaram à delegacia e o corpo removido para o necrotério da Repartição de Polícia, na Rua 25 de Março.
Logo no dia seguinte, o delegado Dr. Juvenal de Toledo Piza encarregou o comissário Ramiro Garcia das investigações. Nas imediações do local do crime foram encontrados os restos das roupas do menino e um boné de casimira xadrez que provavelmente também pertencia a ele.
Detiveram também um suspeito nos arredores do local do crime. Mas não conseguiram nenhuma informação sobre a identidade do menino.
Somente no dia 3 de janeiro apareceu um jovem aflito no Gabinete de Investigações na Rua dos Gusmões, procurando informações sobre seu irmão menor. O jovem, de dezessete anos era José Lemes de Vasconcelos que morava com a mãe e o irmão na Vila Maria. Tinham vindo a poucos meses de São José dos Campos, onde o pai estava em tratamento de saúde. Disse que seu irmão, Antonio, de 15 anos de idade, trabalhava na fábrica de tecidos de juta Sant’Anna e tinha saído de casa na manhã de sábado dia 1º às sete horas da manhã e não voltou. Usava paletó cáqui, calças de brim claro e estava descalço, com o pé doente. Usava boné.
Quando lhe mostraram o boné encontrado no local do crime, José Lemes o reconheceu como o do seu irmão. Mas quando o Dr. Juvenal Piza mostrou-lhe a fotografia do corpo encontrado, o jovem entrou a chorar descontroladamente e disse que não podia reconhecer e só sua mãe seria capaz de fazê-lo.
Devido ao estado emocional do rapaz, o delegado mandou que o levassem para casa e trouxessem sua mãe para reconhecer a vítima. Mas não foi encontrada, estava também tentando encontrar notícias do filho.
Albertos
Fotos publicadas no jornal Correio Paulistano do dia 04-01-1927
No dia seguinte tudo seria esclarecido. O menino era mesmo Antonio Lemes, e o delegado Dr. Juvenal de Toledo Piza, já traçava um plano diferente para a investigação, pois os suspeitos que tinham arrolado se mostraram todos inocentes, pois tinham bons álibis. Mas nesse dia o acaso trouxe uma pista preciosa.
Às duas horas da tarde apareceu no Gabinete de Investigações uma pessoa pedindo para falar com o Dr. Juvenal Piza. Tratava-se de Roque de Cerqueira Leite3, um eletricista viúvo que trabalhava numa casa de eletricidade na Praça da República, esquina com a Rua Ipiranga, onde também morava.
O delegado, que não tinha absolutamente nenhuma pista recebeu-o. Disse que lendo as notícias sobre o crime da estrada de S. Miguel... Para saber mais clique AQUI. Fonte: São Paulo Passado

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