10 maio 2016

Cracolândia - Apenas doze horas [Atualizado]

12/05/16 - Por Dennis Guerra: Que as condições de serviços normalmente não são das mais apropriadas em muitos setores do poder público não é novidade, disso já sabemos. A questão é quando isso passa dos limites relativamente aceitáveis e se transformam em um ataque à própria condição humana. Veja também: Falta de efetivo: GCM hoje está menor que 12 anos atrás!

Dentro disso, resolvi encaminhar uma denúncia ao Sindguardas-SP e compartilho parte do texto com você, considerando que certos detalhes do que foi apurado é tão vergonhoso e repugnante que não seria apropriado o seu compartilhamento público. Veja ainda: Tema do Estudo: Condições de Trabalho na “Operação Braços Abertos - Crack é Possível Vencer - Por Jefferson Amaral Guerra

O objetivo desta publicação é chamar a atenção para a importância de exigir da entidade cobranças do poder público em relação aos seus funcionários e um mínimo de respeito dos nossos governantes àqueles que lhe representam. Foram apenas doze horas na região - depois de vários meses distante - mas pareceram doze dias. Fico tentando imaginar quem convive todos os dias com tal situação. E mais: ... em São Paulo e no Brasil, ser viciado é moralmente superior a ser pobre...

"Bom dia! Quero externar aqui a minha mais profunda indignação pelas condições de higiene verificadas durante a Operação Nova Luz na data de 09/05/2016. Na ocasião, antes de iniciar a minha alimentação, perguntei sobre algum local para lavar as mãos. Educadamente orientado por uma colega, me dirigi à retaguarda do veículo - ônibus Base de Apoio - onde espantado, questionei um colega que fazia a higiene bucal referente às condições daquele local. Lixo e água empoçada,                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      um simples conjunto de sanitários químicos que resolveria o problema, e sim na falta de comprometimento do poder público com os seus funcionários. Eu mesmo percebi a dificuldade em localizar sanitários, passando boa parte do dia de serviço abstendo-me de simples necessidades fisiológicas. Percebe-se que do lado contrário, referente aos usuários de entorpecentes que ali participam do programa da prefeitura, existe uma infraestrutura totalmente desproporcional em relação aos guardas civis, que parecem padecer do descaso apenas por ocupar a função pública. Eu ainda poderia citar outras diversas observações sobre as condições no local, mas vou limitar-me a apenas essas citadas acima. Os arquivos dos registros feitos por mim seguem no contato Whatsapp do presidente do Sindguardas, Sr. Clóvis Pereira, considerando que aqui não localizei o espaço apropriado para o upload de arquivos. Desde já muito obrigado"!


As fotos registradas na ocasião não serão publicadas para não expor sem necessidade o nome da instituição municipal, conforme a filosofia de trabalho deste site.

FALTA CONDIÇÕES DE TRABALHO – GOVERNO HADDAD NÃO CONTRATA E NÃO DÁ CONDIÇÕES PARA QUEM ESTÁ TRABALHANDO

Trabalho é o que não falta para a Guarda Civil Metropolitana. Tem fiscalização de trânsito, ambiental, apoio às Subprefeituras, proteção dos bens, serviços e instalações públicas, proteção do espaço público, proteção escolar, policiamento em grandes eventos, apoio à Limpurb e SPTRANS, além da proteção de pessoas em situação de risco que engloba a insalubre “Operação de Braços Abertos”. Percebe-se que a corporação protege todo mundo, mas o governo Haddad não protege os trabalhadores. Aliás, a Administração Pública está de braços abertos aos usuários de entorpecentes e de braços cruzados aos trabalhadores que protegem a Cidade de São Paulo. Em que pese a excessiva carga de trabalho, considerando que não há contratação de novos GCMs, os trabalhadores que ainda conseguem desenvolver todas estas proteções, com esforço além do suportável, têm de se virar para desenvolvê-las sem as mínimas condições de trabalho. FALTAM CONDIÇÕES MÍNIMAS, NÃO SÓ DE TRABALHO, MAS TAMBÉM DE DIGNIDADE AO TRABALHADOR!

"Nos últimos dias temos vista uma certa mudança de postura da diretoria do Sindguardas SP. O tom saiu dos aplausos para um olhar da dura realidade vivida pelos milhares de GCM que sofrem muito com a falta de efetivo e de recursos! Louvável, sem dúvida, ainda que tardia, mas louvável. Contudo, acredito que existem coisas que não podem ser objeto de negociação. O não cumprimento das normas regulamentadoras do ministério do trabalho, por exemplo, não podem ser objeto de negociação. O não cumprimento precisa ser levado ao MP do trabalho, para que o órgão investigue e responsabilize os que deliberadamente expõem os trabalhadores da GCM a riscos além dos que já nos submetermos em razão da natureza de nossa profissão"! Por Maurício Villar - Facebook.

Historicamente sempre houve um descaso com o servidor público, no que se refere à reposição de materiais, mas antes não tinha tanto trabalho! Hoje o trabalhador vem trabalhar e não encontra as mínimas condições de subsistência para desenvolver o policiamento. Não por acaso já vimos trabalhador desmaiar em plena operação, por falta de alimentação ou por demasiado esgotamento físico.

A fiscalização de trânsito com operação de radar móvel desenvolvido nas marginais expõe o trabalhador da GCM às intempéries e à poluição expelida pelos milhares de caminhões e ônibus que trafegam diariamente por estas vias. Não obstante, ainda tem “chefe” sem noção que não fazem o revezamento dos profissionais, deixando um mesmo trabalhador amargar 12 horas ininterruptas na operação. Por outro lado, a Superintendência de Operações, que é responsável por esta operação, não autoriza a interrupção da fiscalização quando a temperatura se eleva, sob a escusa de que os trabalhadores podem usar o guarda-sol. POR QUE  O SUPERINTENDENTE NÃO VAI EXPERIMENTAR O GUARDA-SOL EM CIMA DA PONTE, QUANDO A TEMPERATURA ATINGIR SEUS 34º?

Mas a verdadeira angústia do trabalhador da Guarda Civil Metropolitana está na região da Nova-Luz: a “Operação de Braços Abertos”. Ali a GCM faz o que nenhum outro ente público quer fazer: proteger a vida dos usuários de entorpecente e ao mesmo tempo controlar a incidência de violência na região. Já que fazemos o que ninguém faz, porque não se investe em quem faz? Porque não se dá pelo menos condições dignas de trabalho?

Chegamos ao absurdo de ser obrigado a trabalhar ao lado do “banheiro” dos usuários. Trata-se de um buraco no passeio público em que os usuários satisfazem suas necessidades fisiológicas durante a noite e o policial da Guarda Civil Metropolitana é obrigado a ficar ao lado durante todo o dia. Agora imagine um buraco cheio de fezes e urina durante o calor do dia? Parece suportável? Para o encarregado da operação é suportável... Mas ele não fica lá por mais que 5 minutos.

Quando o trabalhador resolve se alimentar, dirige-se ao posto de comando, que é um ônibus de apoio estacionado na operação. Para se alimentar, resolve fazer a higiene das mãos e se depara com isso: Clique AQUI para ver as imagens.

O pior de tudo é que a Diretoria do Sindguardas-SP fez reunião com as Superintendências de Planejamento e de Operações no dia 18/01/2016, onde se firmaram compromissos de melhorar o ambiente de trabalho, como a locação de banheiros químicos, agilidade na rendição, fornecimento de água, luvas e máscaras de proteção, além de buscar soluções de abrigo das intempéries, mas passados três meses nada se fez para melhorar, pelo contrário, só fizeram para piorar. Mudaram a hora da última limpeza e ainda chegam ao cúmulo de impedir que as equipes abasteçam as viaturas durante o período da operação. Desse jeito não dá!

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana, por sua vez, prometeu a instalação de uma Inspetoria no local. Falou-se até em gratificação para os trabalhadores que forem voluntários para esta unidade, mas nada se vê de palpável até o momento.

ESSE É O CENÁRIO DO TRABALHADOR DA GUARDA CIVIL METROPOLITANA NO GOVERNO HADDAD. SERÁ QUE OS TRABALHADORES RESISTEM ATÉ O FINAL DO ANO? SINDGUARDAS-SP TRABALHANDO PARA VOCÊ! Fonte: Sindguardas-SP


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