2010 / 2017

"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada"
Edmund Burke

"O Cão De Guarda Notícias era uma janela para o mundo que esteve aberta entre os anos de 2010 a 2017, deixando agora um vazio enorme em meu coração" Por Dennis Guerra

24 março 2016

Moral da Estória - Toda gestão acaba, e você fica!

24/03/16 - Por Dennis Guerra: Por volta de 1996/00, eu trabalhava como motoboy e, aos finais de semana, fazia bicos como entregador de pizzas. Tanto no primeiro quanto no segundo caso existem certas peculiaridades interessantes. Bem, para começar, não existia plano de carreira algum em ambas. Então, se você se tornava motoboy, se aposentadoria motoboy. Se entregava pizza, morria entregando pizza - se não morresse no trânsito, logicamente! Veja também: A 'Estratégia das Tesouras' aplicada aos movimentos populares no Brasil

Como entregador de pizza a coisa era ainda mais interessante, no meu caso. Trabalhei por lá durante cerca de quatro anos. Nesse período tive quatro patrões diferentes. Era mais ou menos assim: quando um não conseguia tocar o negócio, vendia o ponto - e lá estava eu como parte do negócio. Veja ainda: Dicas para minimizar o risco de ter a sua motocicleta roubada (Atualizado)

Logicamente, eu via de forma clara e objetiva as diferenças na forma de administração e atendimento. A cada mudança na gestão, mudava a prioridade. Em uma, o objetivo era a massa - mais macia, mais crocante. Na outra, era o atendimento no balcão - atendimento mais rápido para fazer a clientela girar ou mais personalizado, o que agradava mais os frequentadores. Dificilmente se dava alguma prioridade às entregas - número de entregadores ou condições de melhor armazenamento da pizza a ser entregue, por exemplo. Fonte/imagem: Google.

Até aí, de minha parte, tudo bem. Eu sempre tive boas referências dos patrões anteriores - e lá ia me adaptando novamente. Eu já tinha conhecimento de todos os itinerários e clientela. Quando resolviam contratar mais um entregador, eu explicava todo o serviço e - na semana seguinte, o cara nem voltava. Motivo? Normalmente muito serviço para poucos rendimentos financeiros. Em outras palavras: uma ninharia.

Mas, com o último proprietário do negócio - mais especificamente uma proprietária - é que a coisa chegou ao limite. Eu já não me satisfazia mais com aquilo. Para mim não era suficiente trabalhar pelo maior número de entregas. A vida não se baseia apenas em números, você não acha?!

Mas, considerando que eu adorava trabalhar com moto, continuei. Independente das gestões que mudavam, eu continuei. Independente das mudanças na forma de atendimento, eu continuei. Continuei, mesmo quando a prioridade eram números secos. 

Mas tinha uma coisa que me deixava um tanto alerta. Sabe aquele tipo de cliente que abusa da sua confiança? Que acredita que só porque pagou pela pizza ele pode fazer ou falar o que quiser? E pior, se ele diz a versão dele, o patrão acredita sem dó nem piedade? 

Em uma dessas situações, fui fazer a entrega na residência de um cliente desse tipo. Local ermo, a frente da residência não tinha iluminação pública. Quando o cidadão apareceu lá no alto do terreno - a casa havia sido construída em uma, praticamente, colina - ele mandou eu subir para lhe entregar a pizza. Então, eu disse: 

"Vai ter caixinha"? Convenhamos que, durante todo aquele período de quatro anos, o máximo que ganhei de caixinha foram R$ 10,00 Reais em valores atualizados. Por isso que hoje, quando peço uma pizza, faço questão de deixar uma gorjeta ao entregador. Naquele momento, o cliente - parecendo não acreditar na minha pergunta, disse que não. Então eu respondi que ele descesse, pois eu não iria subir. E não subi.

Logicamente, quando cheguei na pizzaria, já havia uma reclamação me aguardando. A patroa me disse que eu não deveria exigir gorjetas. Eu disse que não era obrigado a fazer nada além da minha função, e que se fosse para fazer, eu deveria ser pago por isso. Bem, no final, ela não me despediu - por não ter mão-de-obra qualificada. E eu continuei a não entregar além do portão.

No serviço público, isso é diferente. Você deve se atentar para o que é atribuído à sua função/cargo. Deve-se ter um certo cuidado no que se refere à usurpação de função pública - quando o agente assume função que não é de sua competência. Agora, se existe o desvio de função, caberia um ressarcimento ou gratificação, segundo algumas opiniões.

"Me digas quem te criou que eu te digo de qual raça tu és" - Guardas civis prendem indivíduo acusado de roubo

Na área policial, isso é um pouco mais delicado. Por vezes o policial se vê diante de situações que - apesar de alguns entenderem que não é a sua função, outros - juízes e promotores, por exemplo - pediriam a sua cabeça por prevaricação. Em casos assim, muitas vezes o operador de segurança pública age baseado no óbvio: configura crime? Então conduz à autoridade policial.

O problema é que, assim como na pizzaria, cada gestão é uma gestão. E cada uma tem um entendimento diferente daquilo que para outros, é óbvio. E aqui, por mais que você trabalhe com amor pela profissão, não se exige gorjeta do cliente - o que configuraria crime, por sinal. Na verdade o que se espera é reconhecimento e valorização - um salário condizente com o risco da função - e nada mais.


Moral da Estória - Toda gestão acaba, e você fica!

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