2010 / 2017

"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada"
Edmund Burke

"O Cão De Guarda Notícias era uma janela para o mundo que esteve aberta entre os anos de 2010 a 2017, deixando agora um vazio enorme em meu coração" Por Dennis Guerra

13 março 2016

Dicas para minimizar o risco de ter a sua motocicleta roubada (Atualizado)

13/03/16 - Por Dennis Guerra: A aproximadamente um ano, publiquei este artigo com algumas dicas básicas sobre o tema proposto. Veja também: Vídeo mostra guardas municipais salvando a vida de um bebê (Diz aí, Lombardi)





Após fazer uma releitura, podemos até mesmo abrir espaço para novas discussões a respeito e complementar a postagem com novas abordagens sobre o tema. Caso queira colaborar, entre em contato pelo Whatsapp 11 95580-1702.

Dicas para minimizar o risco de ter a sua motocicleta roubada

11/01/15 - Por Dennis Guerra: Algumas vezes fui questionado sobre as técnicas mais apropriadas para reagir a roubos de motocicleta durante um deslocamento qualquer. O assunto chama a atenção devido ao grande número de casos envolvendo policiais nesse tipo de veículo. Para entender melhor esse tema (tão pouco abordado), devemos tratar outros assuntos, como o estudo da Vitimologia (participação da vítima nas circunstâncias do ato ilegal) e Criminologia (situações diversas que levam à escolha pelo cometimento do crime). Veja ainda: Redes sociais e candidatos a Concurso Público - Fiquem atentos!

Para não se estender nessa área, deixo aqui dois links para um estudo mais aprofundado. Não há de se afirmar que existe a possibilidade de se evitar o roubo de motocicleta ou qualquer outro veículo. Nos estudos de Gerenciamento de Riscos existe um conceito básico: Qualquer risco é inevitável - a busca deve focar em minimizar as possibilidades de ocorrências ou danos. Relembre conosco o caso de tentativa de roubo da Hornet clicando AQUI.

Mas, antes de continuarmos, assista ao vídeo abaixo e tente imaginar a situação contrária: Ao invés de policiais estarem acompanhando os criminosos, imagine que fossem os criminosos perseguindo o policial. Quais seriam as reais chances de se defender nesse caso? E mais: Filmou a abordagem policial? Parabéns: você é a nossa testemunha!


Sendo assim, espero reforçar neste artigo o foco na prevenção e não na reação. Entenda desse modo: Prevenção cabe a todos. Reação é uma escolha muito individual. 

Hoje poderíamos afirmar que temos duas vertentes por conta do crime em si. Uma abarca os adeptos do comportamento ostentação e uma outra, os clássicos ladrões de motocicleta.
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"Senhores, treinem.  Não importa sua função, treinem! Treinem saque de arma. Se anda de moto, treine saque da motocicleta, se de carro treine como dar melhor resposta. Se anda até de bicicleta, aprenda, observe, descubra como sacar a arma na bicicleta. Treine posição de combate..." Compartilhado por Kleber Camargo no Grupo O Cão De Guarda Notícias - Whatsapp
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No primeiro tipo, a grande maioria seriam adolescentes (protegidos por leis específicas) que somado à uma inversão de valores imposta por nossa sociedade, vê nos comportamentos de ostentação um espaço para se promover perante o seu círculo de amizades. Basicamente, querem roubar uma moto para tirar onda. O grande risco nesses casos seria, principalmente, a grande facilidade com que puxam o gatilho da arma - pela fraca legislação e enorme adrenalina com que participam de tais assaltos. 


No segundo, temos os clássicos ladrões de moto, que praticam o crime focado em lucros. Nada impedirá de conseguirem aquilo que desejam. Possuem maior tranquilidade no cometimento do ato ilegal por já apresentarem, muitas vezes, histórico anterior. Nesses casos, a participação de comparsas fazendo a segurança é fator comum. No vídeo abaixo, dois policiais de folga são o alvo dos criminosos. Por quantas vezes temos esse tipo de situação?


Mais tenha a certeza sempre: nos dois tipos eles estão intimamente ligados. Dito isso, podemos dizer que: 

Ladrão gosta de facilidade. Qualquer situação que dificulte a sua ação delituosa é um ponto favorável a você, desde que focada no preventivo. Ao mesmo tempo, dificuldades se apresentam durante o crime geram uma maior possibilidade de violência por parte dos criminosos. Alguns dados (2010) apontam que cerca de 80% dos crimes em trânsito ocorrem próximo à faixa de pedestres, ao lado esquerdo da via. Dicas:
  • Existem dois tipos de motos: as que tem maior e menor incidência de roubos. Avalie que tipo de sinistros e incidências são mais comuns. Por exemplo: motos de menor e média cilindradas são muito procuradas para a venda de peças no mercado negro e cometimento de outros crimes. Outras, como as estradeiras, tem o foco no mercado de veículos roubados de países como Paraguai e Bolívia. Nesse caso, os principais alvos são os seus pertences pessoais - como jaquetas, óculos, capacetes e outros, como foco dos criminosos;
  • Ao sair ou chegar em sua residência, faça uma breve leitura do local. Ao sair, verifique movimentos suspeitos nos arredores. Ao chegar, Passe uma vez em frente aos seu portão e, se estiver tudo tranquilo, efetue a entrada;
  • Evite transportar documentos pessoais e chaves de residência em bagageiros, como baús e alforjes. Caso você tenha a sua moto roubada/furtada, o prejuízo será menor; 
  • Fique atento às motocicletas com garupas (passageiro). Nas rodovias, principalmente, eles procuram se manter próximo ao acostamento aguardando a passagem da possível vítima; 
  • Normalmente o motociclista já tem o conhecimento de seus itinerários e, consequentemente, o tempo de funcionamento de cada semáforo. Reduza a velocidade ao se aproximar, pois com o veículo em movimento você reduz o tempo de parada; 

  • Não pare próximo à faixa de pedestres: Considerando as possibilidades mediante as estatísticas (promovidas pelo grande fluxo de pessoas e facilidade de fuga após o roubo) evite esse tipo de comportamento. Procure parar a sua motocicleta dois, três, cinco veículos antes da faixa. Você sai do campo de atuação da maioria dos criminosos; 
  • Pare próximo ao veículo da frente (resguardando situações de recuo em vias íngremes) ao lado oposto do corredor (direcionando a frente da motocicleta à lanterna do veículo). Dessa maneira, a possibilidade de 'manobrar' a motocicleta é dificultada, gerando ao criminoso um item a mais para avaliar antes do ato. Deixe o caminho livre aos outros motociclistas; 
  • Mantenha-se atento. Quando você evita parar próximo à faixa, tem maior facilidade para perceber o que ocorre ao seu redor. Fique de olho nos retrovisores e em movimentações suspeitas em sua retaguarda e laterais;
  • Caso perceba estar sendo seguido, busque um lugar movimentado para parar a sua moto. Não se preocupe com o bem material e sim com a sua vida; 
  • Ao decidir fazer o abastecimento do veículo, escolha postos de gasolina em vias movimentadas e com sistema de câmeras de monitoramento. Ao se aproximar, faça-o com cautela, verificando  possíveis movimentações suspeitas. Desça da motocicleta para o abastecimento. Ao efetuar o pagamento, mantenha-se ao lado oposto da bomba, assim, com a chegada posterior dos assaltantes, você poderá passar despercebido como proprietário do veículo, principalmente no caso do posto estar com intenso movimento). Durante a saída, verifique se não foi seguido; 
  • Defina um itinerário principal e outros 'alternativos'. Considere para isso itinerários que possuam bases policiais (Delegacias de Polícia, Batalhões da Polícia Militar, Inspetorias da Guarda Municipal) no trajeto, memorizando esses locais para qualquer eventualidade; 
  • Não utilize estacionamentos nos bolsões. Busque estacionamentos homologados e com seguros promovidos por empresas idôneas; 
  • Os bandidos se adaptam facilmente às novas tecnologias. Alarmes com sensores de distância hoje são brincadeira de mau gosto se objetivam evitar roubos - onde entra a figura dos comparsas, mantendo a(s) vítima(s) em seu poder - E não confunda com outro tipo de ilícito penal, o furto - onde tais alarmes tem maior eficácia. Algumas empresas prestam um serviço de rastreamento com seguro e devolução parcial do valor do veículo. Eis uma boa alternativa.
Veja, as dicas aqui apresentadas consideram principalmente minimizar as possibilidades de perda do bem móvel. Todavia, elas tem o objetivo maior de chamar a sua atenção para a preservação da vida - sua e de seu/sua acompanhante. 
  • Atenção: Motocicleta e arma não combinam - O que muitos policiais poderiam discordar é que sempre deverá estar armado, em qualquer circunstância. Certa vez fui convidado para elaborar uma palestra sobre técnicas específicas para a utilização de arma em deslocamento, tendo em vista a grande quantidade de policiais alvejados nesse tipo de veículo. Recusei tratar o tema por não acreditar plenamente em sua eficácia;
  • Primeiro: para se portar uma arma você deve estar 100% atento ao o que ocorre ao seu redor e, na direção de uma motocicleta, isso é praticamente impossível. Aqui tratamos da reação, e não do preventivo em si. Porém, se o policial faz dessa a sua única escolha, que a faça por completo, utilizando também o colete antibalístico. Muitas vezes um policial é facilmente identificado pelo criminoso após uma breve leitura corporal. Evite adotar procedimentos característicos da função, como parar a motocicleta em ângulo de 45°. Essa técnica é específica para uma dupla de policiais em patrulhamento, não sozinho em um passeio qualquer;
  • Hoje, os criminosos estão utilizando uma técnica de abordagem muito interessante: eles ordenam que a vítima deite-se com os braços e pernas abertos e realizam a busca por armamentos e identificações. Se uma equipe policial utiliza-se os mesmos métodos em uma abordagem simples, muitos chamariam isso de Abuso de Autoridade. Todavia, a criminalidade tem um certo prestígio ao realizar tais métodos, considerando ainda que, se descobrirem que aquela vítima é um policial, a sua sentença de morte está decretada;
  • E caso faça a sugestão da utilização da mão trocada para permanecer na condução do veículo enquanto faz uso do armamento, lembre-se: por mais hábil que você seja, os criminosos ainda estarão em vantagem;
  • Uma alternativa à essa técnica seria treinar e se aperfeiçoar na utilização da mão fraca para o disparo. Dessa forma, mesmo na condução do veículo - em uma situação ainda desaconselhável, mas que só o agente pode avaliar (pois só é ele mesmo é que pode avaliar as suas limitações e responsabilidades a que estará sujeito) - você teria capacidade de efetuar disparos contra os agressores ao mesmo tempo que tenta evadir-se do local.
  • Em uma situação de confronto, a motocicleta jamais poderá ser entendida como um abrigo, e sim como cobertura - justamente por ter diversas partes de fácil perfuração pelo projétil e outras áreas vazadas. Jamais esqueça disso!
Este texto não traz a verdade absoluta em si. Tudo aqui pode ser questionado a qualquer tempo. Todavia, baseado em estudos, experiências pessoais, pesquisas e observações de outros profissionais, chegamos a este texto primário, que se torna uma base para novas observações e está em constante aprimoramento. Desde já afirmo que o texto acima foi redigido por várias mãos!

E lembre-se sempre: o texto apresentado acima passa por diversas fases de aprimoramento. Não adianta sair por ai sem avaliar bem isso.


Quero agradecer aos colegas Oswaldo Castro Júnior, Uildson Carmo de Morais, Edmilson Mariano, Fernando Coelho, Roberta Faria, Daniela Lopes Cordeiro, Edna Dias dos Santos e Moacir Sorrentino pelas interessantes orientações e discussões à cerca do tema. Obrigado!

"Esse texto, em especial, chamou muito a minha atenção por abordar um tema o qual me interessa muito, a Vitimologia. O que percebo é que os olhos estão sempre voltados para o crime/criminoso, deixando de lado muitas vezes a 'vitima'. Acredito que deva ser observado a influência da vítima na ocorrência do delito, em que medida a vítima interfere para desencadear da ação ou sua precipitação, em que medida suas ações ou reações condicionam ou direcionam as ações dos agressores. Se estes critérios forem observados, veremos que a vítima pode ser inteiramente inocente na dinâmica do crime, pode ser tão culpada quanto o agente, mais culpada do que o agente, menos culpada e ainda, poderá ser a única culpada do cometimento de um crime. Gostei muita dessa abordagem, é com esse olhar que devemos ver a vítima e o criminoso, na minha opinião". Por Irene Silva - Grupo Clã Whatsapp

Sobre o autor - Dennis Guerra: Brasileiro, 40 anos de idade, casado: 14 anos na Guarda Civil Metropolitana; 13 anos na função de Motociclista; Gestão Específica. Cursos SENASP: Condutor de Veículos de Emergência; Violência, Criminalidade e Prevenção; Técnicas e Tecnologias Não Letais para Uso Policial; Capacitação em Educação para o Trânsito; Aspectos Jurídicos da Abordagem Policial e Uso diferenciado da Força. Outros: Táticas Operacionais Defensivas - CFSU; Escolta e Batedor com Motocicletas - PRF; Pilotagem Segura com Motocicletas CET; Pilotagem Defensiva Honda Indaiatuba Curso de Educador - CFSU (Desligado).

Permitida a reprodução se feita na íntegra e citada a fonte original




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