16 dezembro 2015

Sobrou até para Pedro Álvares Cabral

16/12/15 - Por Dennis Guerra: Segundo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a culpa do atraso na educação brasileira é do português que 'descobriu' o Brasil. Fonte: Folha De S.Paulo. Veja também: Jair Bolsonaro e Raquel Sheherazade irão compor chapa para concorrer à Presidência da República em 2018?



A fascinante e esquecida história do descobridor Pedro Álvares Cabral

Por Irapuan Costa Junior: Eduardo Metzner Leone (1914-1987), escritor português bastante prolífico, é pouco conhecido no Brasil. Na segunda metade da vida passou a escrever obras históricas, muitas das quais ainda se encontram nos sebos. Esteve no Brasil, onde, em 1965, escreveu o roteiro para o filme “Encontro Com a Mor­te” (com Orlando Vilar e Irma Al­varez nos papéis principais).

O filme, do diretor português Arthur Duarte, explorava um triangulo amoroso, parece ter chocado a moral do regime salazarista, e foi proibido em Portugal. Mas quero falar de outra coisa: a biografia de Pedro Álvares Cabral, que Leone escreveu, e que parece ser uma das poucas de nosso descobridor (o brasileiro Walter Galvani escreveu “Nau Capitânia — Pedro Álvares Cabral: Como e Com Quem Co­meçamos”, Record, 322 páginas). Foi publicada em Lisboa (Editora Áster) em 1968, e que eu saiba, nunca houve uma edição brasileira, por incrível que pareça. Mas a indiferença para com Cabral não parece ser falha apenas nossa. Os portugueses também não devotam a ele o devido respeito, deduz-se do livro. Não foram poucas as dificuldades do autor no levantar um mínimo de dados que justificassem dar à pesquisa o nome de biografia, ressalva que, aliás, ele faz.

Portugal nasceu com D. Afonso Henriques fundando o reino separado à força de Castela e inaugurando a dinastia de Borgonha, em 1193. Mas a dinastia seguinte, a de Avis, iniciada em 1385 com D. João I, é que deveria levar Portugal, ainda que pequeno e de reduzida população, aos píncaros do mundo de então. As duas dinastias seguintes, a da Casa de Áustria (instalada em 1581) e a de Bragança (em 1656), veriam um declínio que culminaria em 1910 com a proclamação da República e colocação de Portugal, antes um dos primeiros do mundo, como um dos últimos países da Europa. Leone fala com exatidão: “Antes da dinastia de Avis não havia para nenhum homem, por mais erudito que fosse, uma noção sequer aproximada daquilo a que hoje chamamos de mundo”. É a pura verdade.

Os homens, nos vários lugares do globo, não tinham sequer ideia de que existiam outros lugares. E nem sabiam — só podiam, se tanto, imaginar — que existissem outros homens, com suas diferenças e semelhanças. Foram as cortes de Avis que fizeram com que o mundo se conhecesse, e se insere aí a força e a vontade de uma das maiores figuras da humanidade: o infante D. Henrique, o Navegador. Que nun­ca, a rigor, navegou, mas fez com que seus patrícios, indo cada vez mais longe, navegassem o mundo todo. Pedro Álvares Cabral é produto dessa época. Sua família paterna era nobre o suficiente para deixar de prestar o juramento de fidelidade ao rei, o que significava uma extraordinária demonstração de confiança real.

Ao partir do Tejo para sua via­gem, Cabral não era ainda Cabral, mas Pedro Álvares de Gouveia. O sobrenome paterno só cabia ao filho mais velho, e Pedro era o nono irmão. Con­tentava-se com o Gou­veia materno. Só na volta de sua expedição passou a usar o sobrenome pa­terno, o que parece ter sido uma distinção. Os Cabral se contaram sempre, desde os primeiros registros conhecidos, como ilustres da corte. Gil Ca­bral, tataravô de Pe­dro, teria sido o deão que ca­sou o infante D. Pedro e Inês de Castro. Fernando Álvares, seu avô, morreu combatendo em Tanger. Fer­não, seu pai, era conselheiro do rei Afonso V, o Afri­cano.

Os ascendentes maternos de “Pedrálvares”, os Gouveia, família da Beira, como também era a Cabral, não foram menos ilustres. Seu bisavô materno, Vasco Fer­nandes Gouveia, era alcaide-mor de Castelo Melhor e Almendra, ocupação que passou para o filho, e avô de Pedro, João Gouveia, pai de Isabel, mãe do descobridor. São incertos, prova da desídia portuguesa para com seus vultos, não só o lugar de nascimento de Pedro Álvares Cabral (Belmonte ou São Cos­mado?) como o ano de nascença, se 1467 ou 1468, embora se tenha como certo o dia de São Pedro (29 de junho). Leone tentou restabelecer a infância e a juventude de Cabral, mas esbarrou em incertezas e sigilo. Sigilo, ao que parece, devido às instruções de D. Manuel, o Venturoso, e de D. João II, que mantinham sob segredo as descobertas atlânticas, na intenção de afastar a cobiça das outras nações europeias pelos “novos mundos”. Para saber mais clique AQUI. Fonte: Jornal Opção


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