17 agosto 2015

‘Vão arrumar uma saída para esta crise, mas outras vão aparecer’

17/08/15 - Por Dennis Guerra: Sobre as manifestações ocorridas por todo o Brasil, a entrevista abaixo - concedida a Sonia Racy, no Blog Estadão - me parece a análise mais abrangente (e sem romantismos) sobre o atual cenário brasileiro. Confira:

‘Vão arrumar uma saída para esta crise, mas outras vão aparecer’

Para o historiador José Murilo de Carvalho, o País tem hoje um  Executivo paralisado por incompetência, Congresso irresponsável, PT desmoralizado, oposição oportunista. E, apesar dos protestos nas ruas , há no ar “um cheiro de pizza”.

Atento às vozes que ontem bradavam “Fora Dilma” e “Fora PT” e aplaudiam a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro em manifestações por todo o País, mas ciente dos recentes acertos entre governo, tribunais e o Senado para garantir no cargo a presidente Dilma Rousseff, o historiador José Murilo de Carvalho diz sentir um “cheiro de pizza indo ao forno”. Isso , porém, não muda o cenário da crise brasileira, afirma. “Vão arrumar uma saída para esta, mas outras crises vão aparecer”.

Do alto de seus 50 anos de janela – de idade, são 75 – ele recorre à ironia para comparar a crise de hoje com outras mais antigas e famosas. Em1954, “tudo terminou em tragédia (o suicídio de Getúlio Vargas)”. Em 1964, só não foi pior por causa da “pequena disposição de luta do presidente (João Goulart)”. Em 1992, “tivemos uma opereta (a saída de Fernando Collor)”. Hoje, “temos um drama sem nenhuma grandeza”.

Por que sem grandeza? Porque “em tese, a melhor saída seria a renúncia da presidente e sua substituição pelo vice”. Mas ele não se ilude: “Nada sugere que ela possa ter a grandeza cívica de colocar o interesse nacional acima de sua vaidade”.

Leia também o artigo A Corja e os verdadeiros criminosos nas chacinas de Osasco e região

Imortal na Academia Brasileira de Letras, integrante da de Ciências, Zé Murilo, como o chamam os amigos, é titular de História da UFRJ e escreveu clássicos como Os Bestializados e Cidadania no Brasil. Neste balanço sobre o País, ele resume: “Se estivéssemos no parlamentarismo, já teríamos outro primeiro-ministro. Mas o que se vê é que estamos longe, ainda, de ser uma república democrática sustentável”. A seguir, a entrevista.

Acha que as manifestações de ontem alteraram alguma coisa no cenário político?

Tudo indica que levaram menos gente às ruas, mas continuam sendo um fenômeno nacional – foram 25 Estados – e desta vez com foco mais definido: em Dilma, no PT e na corrupção. Não reforçaram, nem reduziram, o movimento por impeachment. Com isso, as instituições – TCU, STF, Senado — e organizações empresariais – podem sentir-se encorajadas a levar a pizza ao forno. Mas o curso dos acontecimentos continua a depender das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal e do novo herói nacional, Sérgio Moro...

Para ler a entrevista completa, clique AQUI.


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