14 agosto 2015

SP quer mudar nomes da ditadura militar em ruas da cidade; veja lista

14/08/15 - Projeto da Prefeitura quer rebatizar 22 vias na cidade, incluindo o Minhocão. Viaduto na Sé pode ganhar nome de mulher que lutou pela Anistia.Um projeto da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania quer alterar os nomes de 23 vias de São Paulo que homenageiam pessoas vinculadas à repressão do regime militar (1964-1985). O programa recebeu o nome de 'Ruas de Memória'. O lançamento ocorreu na manhã desta quinta-feira (13) e contou com a presença do ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Pepe Vargas.

O Elevado Arthur Costa e Silva, o Minhocão, pode ter o nome alterado (Foto: Ardilhes Moreira/G1)
Para mudar os nomes das ruas, a Prefeitura precisará enviar projetos de lei - um para cada via a ser alterada - para a Câmara Municipal. Os vereadores irão votar os projetos duas vezes. Depois, a mudança será sancionada pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Durante a cerimônia desta quinta-feira, dois projetos já foram assinados para seguir à Câmara: um quer proibir novas homenagens a responsáveis por violações aos direitos humanos, e o outro muda o nome do Viaduto 31 de Março, na Sé, para Viaduto Therezinha Zerbini, referência na luta das mulheres pela Anistia durante o período da ditadura militar.
Veja a lista das vias abaixo:

1 – Rua Alberi Vieira dos Santos, bairro Conjunto Habitacional Jova Rural, Zona Norte
ex-sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul

2 – Praça Ministro Alfredo Buzaid, bairro Vila Nova Conceição, Zona Sul
advogado, professor e jurista, foi Ministro da Justiça de 1969 a 1974
3 – Elevado Presidente Arthur Costa e Silva, bairro Perdizes/Pacaembu/Consolação/Sé, Centro marechal e presidente do Brasil de 1967 a 1969

4 – Rua Alcides Cintra Bueno Filho, Santana, Zona Norte
policial e delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops)

5 – Praça Augusto Rademaker Grunewald, Itaim Bibi, Zona Oeste
almirante e ministro da Aeronáutica, foi vice-presidente do Brasil de 1969 a 1974

6 – Avenida Presidente Castelo Branco, Bom Retiro/Pari/Lapa – Centro
marechal e presidente do Brasil de 1946 a 1951

7 – Rua Délio Jardim de Matos, Campo Grande, Zona Sul
ministro da Aeronáutica entre 1979 a 1984

8 – Avenida General Ênio Pimentel da Silveira, Campo Limpo, Zona Sul
comandante na Polícia do Exército no Rio de Janeiro de 1968 a 1971

9 – Viaduto General Euclides de Figueiredo, Moema, Zona Sul
geógrafo; político; general do Exército e último presidente do regime militar, de 1979 a 1985

10 – Rua Senador Filinto Muller, São Rafael, Zona Leste
senador de 1947 a 1973, chefe da Polícia Política e presidente da Aliança Renovadora Nacional (Arena)

11 – Avenida General Golbery Couto e Silva, Grajaú, Zona Sul
general e ideólogo do golpe de 1964; foi chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), de 1964 a 1967

12 – Rua Hely Lopes de Meirelles, Tatuapé, Zona Leste
juiz que comandou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a partir de 1968, defensor do AI-5.

13 – Rua Henning Boilesen, Butantã, Zona Oeste
empresário dinamarquês que financiou Operação Bandeirantes

14 – Praça General Humberto de Souza Melo, Vila Maria, na Zona Norte
general e participou da ação que culminou no golpe de 1964

15 – Rua Mário Santalúcia, Tucuruvi, Zona Norte – médico legista do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo

16 – Praça General Milton Tavares de Souza, Vila Maria, Zona Norte – general de 1969 a 1974 e dirigiu a Operação Marajoara na fase final da Guerrilha do Araguaia

17 – Rua Octávio Gonçalves Moreira Júnior, Rio Pequeno, Zona Oeste delegado do Dops e do Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi)

18 – Rua Olímpio Mourão Filho, Rio Pequeno, Zona Oeste general que atuou no movimento que instaurou o regime ditatorial de 1964

19 – Rua Sérgio Fleury, Vila Leopoldina, Zona Oeste delegado do Dops

20 – Rua 31 de Março, Morumbi, Zona Oeste data Reivindicada pelos apoiadores do golpe de 1964 como dia da deposição do presidente João Goulart

21 – Viaduto 31 de Março, Liberdade, Centro data Reivindicada pelos apoiadores do golpe de 1964 como dia da deposição do presidente João Goulart

22 – Viaduto Governador Abreu Sodré, Mooca, Zona Leste
governador de São Paulo de 1967 a 1971, rebatizou a Força Pública de Polícia Militar.

23 – Rua Governador Roberto Costa Abreu Sodré, Morumbi, Zona Oeste governador de São Paulo de 1967 a 1971, rebatizou a Força Pública de Polícia Militar.

Prefeito de São Paulo Fernando Haddad (centro) no lançamento do programa 'Ruas de Memória' (Foto: Reprodução TV Globo)

Prefeito de São Paulo Fernando Haddad (centro) no lançamento do programa (Foto: Reprodução TV Globo)

"Ruas de Memória"

O Viaduto 31 de Março recebeu esse nome por causa da data do Golpe de 1964. Agora, ele deve mudar para Viaduto Therezinha Zerbini. "Esse projeto é para celebrar aqueles que se dedicaram a democracia, que lutaram pelas liberdades individuais do nosso país substituindo o nome daquelas ruas associadas ao período da violência que reinou no nosso país durante mais de 20 anos", afirmou o prefeito Fernando.

Prefeito de São Paulo Fernando Haddad (centro) no lançamento do programa (Foto: Reprodução TV Globo)Segundo levantamento da coordenação de Direito à Memória e à Verdade, a cidade de São Paulo possui hoje 22 vias públicas com nomes de opressores durante a ditadura.

Quando as ruas e avenidas tiverem moradores, antes da mudança haverá discussões sobre o tema com a população. Eles ajudarão a escolher o nome que será enviado à Câmara.

A coordenadora do programa, Clara Castelano, diz que a ideia não é apagar a história. "Essas pessoas que nomeiam essas ruas, essas avenidas, elas foram em determinado momento homenageadas, como se fossem heróis nacionais. Quando o nome for mudado, a nossa ideia é colocar uma placa explicativa que registre a mudança, justamente para não apagar essa história", afirmou.

Durante seu discurso, Haddad aproveitou para alfinetar àqueles manifestantes que pedem a volta da ditadura e criticam a legitimidade das eleições presidenciais. "Sobre a liberdade sempre vão pairar ameaças", disse. "Eleições periódicas é uma conquista tão importante, eu fico perplexo de ver que ainda tem gente que entende e imagina que a eleição é uma coisa superflua a um povo", declarou.

O ministro Pepe Vargas criticou o fato dos crimes políticos caducarem no país. "O projeto faz uma reparação simbólica às vítimas e é muito importante porque nós ainda estamos em uma situação onde os torturadores que violaram os direitos humanos não foram julgados ainda. Uma interpretação do Supremo Tribunal Federal federal ao alcance da lei da anistia", afirmou. Vargas disse que espera que o STF tenha a mesma interpretação que o Direito Internacional que crimes políticos sejam crimes imprescindíveis.

Fonte: G1

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