16 março 2015

Aluno da Guarda Municipal de Santos mostra a angústia da falta de preparo

16/03/2015 - Encaminhado por Kleber Camargo: DL o ouviu e constatou sua insegurança em função dos supostos equívocos em sua formação, denunciados esta semana pelo Sindguardas. Esta semana, com exclusividade, o Diário do Litoralpublicou denúncia do presidente Sindicato dos Guardas Municipais da Baixada Santista (Sindguardas), Sérgio Lúcio da Costa, sobre as supostas irregularidades e equívocos na formação dos 150 novos  


guardas de Santos. A reportagem ganhou as redes sociais e, como consequência direta, fez com que a Câmara convocasse para amanhã, às 16 horas, o secretário de Segurança de Santos, coronel Sérgio Del Bel que, para a uma Comissão Especial de Vereadores (CEV), presidida por Evaldo Stalislau (PT), contrapor os principais pontos da denúncia. Hoje, também com exclusividade e preservando a identidade do entrevistado, o Diário publica a versão de um dos alunos. Confira a angústia do novo servidor de ir para a rua sem o preparo suficiente.


Diário do Litoral - Você se sente preparado para fiscalizar, preservar o patrimônio e auxiliar o cidadão?

Aluno – Não, não me sinto preparado. Os professores são bons em suas áreas profissionais, mas não possuem formação para a área específica da guarda municipal. Não tiveram condições de nos preparar para o dia-a-dia. O pessoal está ansioso para sair, mas todos têm consciência que o curso foi fraco. 

Diário – Faltou bagagem teórica e prática?

Aluno – Eles possuem bagagem teórica para dar aulas em suas áreas específicas. Tivemos aulas com delegados, coronéis, porém, faltou instruções específicas sobre o trabalho da guarda. O curso foi muito teórico e pouco prático. Por exemplo, um delegado passou para gente como age a Polícia Civil.

Diário – Vocês tiveram aulas com funcionários públicos ou da Fenícia Cursos Técnicos Gerenciais e Treinamento (empresa contratada pela Prefeitura)?

Aluno – A maioria era funcionário público. Delegados, coronéis e funcionários da Prefeitura de Santos.

Diário – O que faltou?

Aluno – Instruções de forma geral. Abordagem, por exemplo. Como se comunicar com os cidadãos. Utilização de equipamentos. Foi tudo muito superficial e teórico. Faltou prática. Para ter uma ideia, não existia cronograma. Nós nunca sabíamos qual aula iríamos ter no dia.

Diário – Houve aulas de primeiros socorros?

Aluno – Não.

Diário – O que mais incomodava além da questão didática?

Aluno – O excesso de militarismo. Fomos muito cobrados em termos de comportamento e vestimenta, mas recebemos poucos recursos.

Diário – Explica melhor?

Aluno – Você não recebe uma bota e, no entanto, te cobram uma apresentação condizente com a função. Passamos o curso inteiro com uma calça jeans, uma camisa branca e um par tênis comprados por nós, mesmo sem termos recebido o primeiro salário. Um dia, um professor faltou e passamos a manhã toda fazendo ordem unida debaixo de sol na Arena Santos.

Diário – Os 150 alunos saberão agir em caso de uma emergência?

Aluno – Não. Eu garanto que o que foi passado para a gente não foi o suficiente. Para ter uma ideia, houve alunos que tiveram aulas logo no primeiro dia da convocação e outros 40 dias depois. Os que entraram no primeiro caso ficaram aguardando os demais sem aula, recebendo salário, fazendo apenas pequenas atividades.


Principais pontos da denúncia


1. Ao invés de instrutores da empresa – a Fenícia Cursos Técnicos Gerenciais e Treinamento – quem acabou dando aula aos 150 alunos foram funcionários da própria Prefeitura, delegados civis e federais, coronéis da Polícia Militar, advogados e outros profissionais. Contrato custo R$ 132 mil aos cofres públicos.

2. Além de uma suposta dupla remuneração dos funcionários, as aulas ocorreram das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas - período que os servidores deveriam estar a serviço da municipalidade e não de uma empresa terceirizada.

3. Não foi usada a matriz curricular obrigatória de formação e capacitação de guardas municipais, imposta pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).

4. Ao invés de 480 horas/aula, foram dadas apenas 240 horas/aula e algumas matérias, como a de noções básicas de primeiros socorros, teriam que restringir a classe em no máximo 40 alunos e, no entanto, a classe tinha 70.

5. Os alunos não aprenderam o básico, como ordenamento de trânsito, usar os EPI’s (equipamentos de proteção individual), uso algemas e combater incêndio, entre outros itens.

6. Os novos guardas deveriam ter aulas de armamento e tiro, conforme prevê o Estatuto Geral das Guardas Municipais - Lei 13.022, sancionada em agosto do ano passado.




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O Cão De Guarda Notícias

Autor e Editor

Dennis Guerra Contato Whatsapp 11 95580-1702

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