20 janeiro 2015

Polícia despreparada - Aliás, como estar preparado para isso?

20/01/15 - Por Elieser Santos: Polícia despreparada?! Somos sim, com certeza, muito despreparados. Veja: "... Ocorrência em Vargem Grande - Pinhais: Homem separado da esposa pega filhos para passar fim de semana, os mata enforcados e depois se suicida. Os policiais que atenderam o caso o relatam chorando muito...”Aliás, como estar preparado para isso? Como se preparar para isso? Como sair de casa todos os 




dias e lidar com a eminência e o perigo da morte, com a fragilidade de sua vida, de seus entes e de desconhecidos?

Transformá-lo em um robô, robocop, como somos carinhosamente chamados quando em exercício de suas atividades legais?

Como é receber um chamado, controlar a adrenalina, ser hostilizado em seu trajeto e ao chegar ao local do suposto crime sem saber o que vai encontrar e se deparar com uma cena como esta? E ainda não sentir nada?

Será que ser preparado é ser frio, é ser apenas profissional? É não deixar a sua própria humanidade florescer, é ser apenas um cumpridor de ordens e controlador de desordem?

É não se lembrar de seus filhos, que em casa oram, torcem, intercedem, para que seu herói, seu super-herói volte ao menos vivo, mesmo que punido?

Eu quem nem estava lá, que nem conheço o lugar, não tive o impacto visual - muito menos o espírito que pairava o ambiente tenebroso, estarrecedor, brutal e enlutado, ao ler também chorei, sem explicação chorei, é talvez seja meu despreparo que ainda vê a pessoas e a vida como vida e não como algo, leis, papéis, ordens, desordens, etc.

Quero uma dica de como é possível tal preparo, embora prefiro não ser preparado para isso, se o tal preparo for ser frio, não sentir medo, dó, rancor, luto, ser insensível, etc, etc.

Aliás, a sensação de dever cumprido muitas vezes não termina com a missão totalmente cumprida e legalmente realizada: a levamos para casa, ficam por dias, meses e até anos em nossa mente martelando, martelando e martelando.

É ... despreparados .... 

Animalizados, robotizados é isso que a sociedade espera quando a ocorrência não é com ela.

Despreparados, é isso que verei hoje na TV no jeito datenas e rezendes de ser, na ótica sensacional e sensacionalista de tais jornalistas.

Imagino eu que este policial, o que mais queria ao sair dali ao terminar seus afazeres, de preservar o local, colher dados, controlar emoções, proteger integridade dos corpos estilhaçados, é chegar em tuas casas, seu doce lar e ali não precisar usar escudo, com certeza não descarregar tudo, mas receber o melhor dos abraços, que é teu porto seguro seu lugar de refúgio e para isso não querer treinamento nem preparo.

Por isso também chorei, e desejo que alguma paz que excede nosso entendimento possa o mais rápido possível aliviar tanto a dor dos enlutados quanto a dos irmãos envolvido no caso.

Pois é... Sim, choramos, lamentamos e sofremos muito a dor de outros porque para isso não há preparo, e a farda não tira nossa humanidade, por mais que isso nos seja exigidos, em baixo do equipamento militar há ainda da um ser - ser humano.

Um forte abraço, guerreiros e sobreviventes desse mundo cão, meu respeito e admiração hoje e sempre!


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