21 dezembro 2014

21/12/14 - Por Dennis Guerra: "O senhor deve estar brincando comigo, não é mesmo"?! Com esta frase indaguei um superior hierárquico certa vez em 2004, após sofrer um acidente com a minha motocicleta. Naquela madrugada, um motorista alcoolizado entrou na contra-mão em via de sentido único - em uma cidade da Grande São Paulo - vindo a chocar o seu veículo contra a minha moto. Sofri um rompimento do tendão do ombro esquerdo 



- e só não fui atacado pelo motorista, enquanto ainda estava ao solo, porque pessoas saíram de suas casas para ver o que havia ocorrido. 

Pois bem, ao ser socorrido por amigos, fui encaminhado ao HSPM, no centro de São Paulo. Após toda a documentação estar em mãos, fiz questão de comparecer à inspetoria para a entrega. Ainda com a calça e camiseta que usava no momento do acidente, fui indagado pelo meu superior sobre como iria retornar para a minha residência. Expliquei a ele que caminharia até o ponto de ônibus. Automaticamente ele disse: "Negativo, uma viatura irá levar você até a sua casa". 


Foi nesse momento que soltei a pergunta "O senhor deve estar brincando comigo, não é mesmo"?! Em um primeiro momento, poderia até parecer para você, caro leitor, uma certa falta de respeito de minha parte para com um superior, mas não o era. Se tratava apenas de uma reação de espanto de minha parte, considerando que, apesar da dor, o meu estado não era assim tão grave, considerando casos ocorridos com outros colegas que seriam motivos ainda maior de preocupação - Ah, o médico havia marcado a cirurgia para o mês seguinte, por falta de vagas no hospital.


Pedi que me deixassem nos limites da cidade, onde fizeram questão de acionar uma equipe de viatura daquela cidade para me conduzir até a minha casa. Aguardaram comigo por este apoio.

Irrelevante mesmo foi quando o meu pai faleceu em 2010. Não sendo integrante de nenhuma corporação policial, não haveria mesmo o porquê de uma viatura ir ao apoio de um familiar. Porém, lembro daquela manhã como se fosse hoje. Liguei para a minha esposa, que naquela época era a minha namorada, e disse: Oi, o meu pai faleceu essa manhã. Você poderia não ir trabalhar para ficar comigo? Não sei o que devo fazer!

E quem sabe o que deve ser feito em um momento assim?

Jamais esquecerei os meus colegas que pediram licença do trabalho para me apoiarem. Foram em veículo particular e se fizeram presentes. Nos dois casos acima, nunca esperei nada de qualquer corporação policial - e quando veio, senti que foi de coração.

Como mensurar a necessidade de apoio a um colega? Esta pergunta é a que deve ser feita por todos nós nesse momento. Neste final de semana um caso chamou a atenção de todos nós: A GCMF Janffre, que sofreu um acidente gravíssimo de moto. Na imagem abaixo, ela e o parceiro Tenório, em ocorrência de roubo, no início deste ano.





Acordei com ligações de colegas informando o ocorrido. Por meio de redes sociais, integrantes do sindicato foram avisados. Colegas de férias (como o paceiro Tenório, na foto acima) compareceram ao local. Equipes de viaturas de duas cidades se engajaram no apoio, equipes fizeram os seus contatos para articular todas as informações necessárias. A preocupação com um de nós foi gigante e exemplar.

E não vou me ater à qualquer acusação sobre se essa ou aquela pessoa não teria permitido o apoio - dentro do seu poder discricionário sobre o tema. Quero sim deixar os meus parabéns ao Comando Geral da Guarda Civil Metropolitana, que não mediu esforços ao permitir o apoio integral à uma integrante da corporação - no momento de sua vida que mais precisou de nós.

E, que desde já, garanto que será todo o apoio o possível...

Mas isso não tira o demérito de um decreto municipal que atravanca procedimentos urgentes como esses. Pela normativa, uma viatura só poderia sair do município com autorização do secretário da pasta. E vejam: não estou aqui atirando pedras no ocupante do cargo - de forma alguma, mesmo o porquê o decreto é anterior a muitos de nós. Estou apenas chamando a atenção para algo que precisa urgentemente de uma análise mais profunda - e igualitária.

Segundo uma breve análise feita no Grupo OCDGN  Bravo - WhatsApp pelo GCM Eliel, da Guarda Civil Municipal de Guarulhos, existe por lá uma portaria interna que permite dentro de total legalidade tais procedimentos. Sobre isso, o Sr. Clóvis Pereira, diretor do Sindguardas-SP, afirmou que o assunto poderia apresentado na Mesa de Negociação. 


Concordo: medidas urgentes devem ser tomadas sobre o tema. Estaremos de olho.


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