2010 / 2017

"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada"
Edmund Burke

"O Cão De Guarda Notícias era uma janela para o mundo que esteve aberta entre os anos de 2010 a 2017, deixando agora um vazio enorme em meu coração" Por Dennis Guerra

30 dezembro 2014

A Moral da história - Porque toda instituição é uma espécie de usina de capital simbólico que respinga em todos que falam em nome dela

30/12/14 - Por Dennis Guerra: Certa vez, o professor de Filosofia da USP, Clóvis de Barros Filho, afirmou: "... se as pessoas acharem a instituição onde você trabalha legal, séria, responsável, digna, contributiva, bacana, lugar de excelência, de competência, todo esse patrimônio de valores vai respingar em você. Porque toda instituição é uma espécie de usina de capital simbólico que respinga em todos que falam em nome dela ... Agora, se a instituição onde você trabalha for entendida como 



pérfida, nefasta, lugar de gente incompetente, sem-vergonha e digna de desconfiança, tudo isso também respingará em quem falar em nome dela. Razão pela qual lute pela preservação do patrimônio moral coletivo ao qual você pertence. Mesmo você sendo egoísta, pequeno, mesquinho, auto-centrado. Mesmo você que pretende só se dar bem na vida. Mesmo você, deve entender que quando o teu coletivo ganha, você é o primeiro a ganhar também..."

Pois bem, talvez tenha sido mais vantajoso transcrever esta parte da palestra do que realmente vincular o vídeo. Assim, chegamos de forma mais direta ao objetivo fim deste texto. Caso se interesse em assistir à palestra, clique AQUI

O casoDurante as minhas buscas por um determinado tipo de vestuário (bermudas, para ser mais específico) finalmente encontrei uma loja na Grande São Paulo pela qual a combinação qualidade & valor me chamaram a atenção (basicamente, foi uma busca nos últimos seis meses). Ficando em dúvida sobre dois modelos, resolvi levar o par para casa. 

Aproveitando aquele momento, considerei a possibilidade de comprar mais alguns itens, como camisetas, às quais pedi para a lojista me apresentar alguns modelos. Naquele momento, o total da compra girava em torno de R$ 140,00. Foi quando algo aconteceu:

Ao perceber uma equipe da Guarda Municipal daquela cidade fazendo o deslocamento pelo calçadão - extremamente congestionado pela multidão - e fazendo um breve uso dos equipamentos sonoros, a lojista bravejou:

"Bando de guardas filhos da p***. Por que tem que tocar essa m***?

Espantado, olhei para a lojista e perguntei: Precisa falar dessa maneira? Me senti até mal agora, minha senhora.

Ela reafirmou: Esses filhos da p*** ficam tocando essa sirene e atrapalhando as minhas vendas.

Bem, nesse momento me apresentei como guarda civil e disse: vamos fazer o seguinte: cancela a venda. Eu não posso investir parte do meu salário, que ganho fazendo uso de sirenes e segurança das pessoas, nessa loja. Seria como aceitar como verdade que a senhora acabou de dizer. 

Espantada, ela pediu desculpas e tentou minimizar o ocorrido apresentando mil justificativas. Enquanto ela falava, eu saía da loja...

Moral da história Não existe aqui nenhum motivo de elogio. Não existe aqui nada que possa ser alegado como exemplo a ser seguido. Não existe aqui nada disso. Após comentar o caso com colegas em uma rede social, chego à conclusão que tais situações não são incomuns. Inúmeros de nós já passamos por situações parecidas - e desfechos equivalentes. 

Quando nos defendemos nas coisas mais simples, ficamos mais fortes. Quando evitamos passar uma imagem pérfida, nefasta, lugar de gente incompetente, sem-vergonha e digna de desconfiança da instituição à qual pertencemos e mesmo sendo uma pessoa egoísta, pequena, mesquinha, auto-centrada. Mesmo sendo uma pessoa que pretende só se dar bem na vida...

Quando, enfim, conseguirmos evitar tudo isso, aí sim estaremos abrindo caminho para uma instituição forte, respeitável e com o tão sonhado corporativismo partindo de suas bases, pois esse sim seria o modelo perfeito (aquele que sustenta todo o restante, chamado união).



Não importa se é a instituição A ou B. Não importa se é o sujeito fulano ou beltrano. Tudo o que importa é de qual maneira você apresenta o seu patrimônio moral.

E nós, policiais, considerando tudo o que vem ocorrendo em nossa sociedade, devemos nos unir cada vez mais. O jogo de vaidades deve acabar em prol do coletivo. A minha dignidade profissional esbarra na dignidade de todos de mesma profissão, e vice-versa.

Saí sem as bermudas. Mas a frase nú com a mão no bolso não serve para aqueles que se vestem de moral ao defender aquilo que lhe é importante. 


Dennis Guerra: Brasileiro, 38 anos de idade, casado: Treze anos na Guarda Civil Metropolitana; Doze anos na função de Motociclista; Gestão Específica. Cursos SENASP: Condutor de Veículos de Emergência; Violência, Criminalidade e Prevenção; Técnicas e Tecnologias Não Letais para Uso Policial; Capacitação em Educação para o Trânsito; Aspectos Jurídicos da Abordagem Policial e Uso diferenciado da Força. Outros: Táticas Operacionais Defensivas - CFSU; Escolta e Batedor com Motocicletas - PRF; Pilotagem Segura com Motocicletas CET; Pilotagem Defensiva Honda Indaiatuba Curso de Educador - CFSU.



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