11 outubro 2014

Padre Júlio Lancellotti promove manifestação contra supostos abusos. Enquanto isso, guardas civis localizam mais um Foragido da Justiça (Atualizado com artigo de Reinaldo Azevedo)

11/10/14 - Por Dennis Guerra: Na tarde desta sexta (10) manifestantes - liderados pelo Padre Júlio Lancellotti - se colocaram à frente da Secretaria Municipal de Segurança 



Urbana. Em suas alegações, a Guarda Civil Metropolitana seria responsável por oprimir os mais pobres da cidade, supostamente citando as ações da instituição municipal na região da Nova Luz, conhecida vulgarmente por Cracolândia. Foto: Guty/Fonte: Facebook

Aparentemente, as supostas alegações se dão pelo trabalho da instituição frente às ações ilícitas que ocorrem na região, como uso e tráfico de entorpecentes. O próprio Padre Julio Lancellotti esteve presente à uma dessas ações, onde a pessoa a que ele alegava estar sendo indevidamente abordada pela Guarda Civil foi detida em flagrante por Tráfico de Entorpecentes. Relembre o caso:


Padre Júlio Lancellotti acusa agentes do Estado pelo fornecimento de drogas na região da Nova Luz


12/07/14 - Por Dennis Guerra: Durante abordagem realizada por GCMs da IOPE na região da Nova Luz  - vulgarmente conhecida por Cracolândia - à uma mulher que vinha sendo monitorada pelos agentes no local, o Padre Júlio Lancellotti - que liderava uma manifestação - tentou dissuadir a ação legal. Alegando primeiramente que os agentes estavam abordando uma pessoa pelo simples fato de ser 'uma moradora de rua' e que entraria em contato com autoridades municipais. Após a abordagem e constatação do flagrante de Tráfico de Entorpecentes, sendo localizado com M.A. 16 pedras de crack e R$ 1.175,00 Reais - Caso registrado na 2° Delegacia de Polícia – Bom Retiro pelos GCMs Michele, Tharssio e Merino. Detalhe: a mulher já tinha passagem pelo mesmo crime. Fonte: OCDGN

VEJA AINDA: Para saber sobre outras ocorrências da Guarda Civil Metropolitana na região, clique na imagem abaixo:



Até mesmo para tentar reverter o seu posicionamento confuso perante a equipe, sugeriu que os guardas fossem atrás dos grandes fornecedores de drogas na região, chegando até mesmo a citar policiais militares como supostos criminosos. Até hoje, este editor não tomou conhecimento de quaisquer providências junto ao MP ou outros órgãos tomadas pelo acusador, ficando tais afirmações por sua conta. Veja o vídeo:




Sendo assim, qualquer acusação contra a Guarda Civil Metropolitana também passa ao longe de fundamentos convincentes.

Na manhã do mesmo dia em que os manifestantes se encontravam em frente à secretaria municipal, integrantes da Guarda Civil localizaram mais um foragido da Justiça na região da Nova Luz. Veja abaixo:

Você Repórter - Vladimir Oliveira: Em 10/10/14 uma equipe da Inspetoria de Operações Especiais - IOPE/GCM-SP, em patrulhamento de rotina, depara-se com um indivíduo em atitude suspeita na Av. Rio Branco, o qual ao notar a aproximação da viatura demonstrou certo nervosismo, sendo de imediato abordado. Ao ser entrevistado e indagado sobre sua documentação, afirmou não possuir e passou pra equipe o nome de Alan, mas como a abordagem se deu em frente a um prédio residencial, eis que surge uma senhora e o chama pelo nome Douglas. Começa a cair a mentira: diante de tantas perguntas, ele resolveu passar o nome certo, que após pesquisa, constatou-se estar evadido do sistema prisional. Encaminhado à 77° Delegacia de Polícia, a autoridade de plantão solicitou sua legitimação, confirmando a informação, sendo que o indivíduo havia fugido do CDP Belém II, onde cumpria pena por furto, sendo assim elaborado o boletim pertinente. Mais um pro pote!



Imagem mostra a quantidade de adeptos ao movimento promovido pelo padre.
Autor: Desconhecido. Fonte: OCDGN - WhatsApp.




A internação de viciados. Ou: Qual é a causa secreta do padre Júlio Lancelotti? Ou: Caridade concupiscente é pecado!

Sugerido por Leandro Grabe: Por Reinaldo Azevedo: Quando a Igreja Católica permite que tipos como o padre Júlio Lancelotti, da dita Pastoral de Rua, atuem livremente, corre o risco de se desmoralizar. Aliás, corrijo-me: desmoraliza-se, sim, sempre um pouco mais a cada dia, um pouco por dia, de forma contínua e, se querem saber, inexorável. Não recupera mais o que perde. O padre voltou à ribalta, ou ao palco, depois que um casal que o achacava acabou condenado, o que soou a muitos como uma absolvição do religioso. Ninguém nunca entendeu, ou entendeu, com quais elementos Lancelotti era chantageado. O certo é que, em sua infinita generosidade cristã, haveria comprado um carro de luxo para um ex-interno da Febem, de quem se tornou amigão. A hierarquia fez de conta que estava tudo bem.
Lancelotti pertence à tal “Pastoral de Rua”, uma herança maldita que a Escatologia da Libertação deixou para a Igreja. Pastorais as há muitas: de rua, do índio, disso e daquilo. Só falta criar a Pastoral dos Ateus Militantes. E minha ironia é menos absurda do que parece. Afinal, existem umas senhoras que se dizem “Católicas pelo Direito de Decidir”. Defendem a legalização do aborto. Católico a favor do aborto é, assim, como republicano a favor da canonização (que está em curso) de Barack Obama… Ou, se quiserem, como democratas que reconhecem em “Jorjebúxi” um estadista… Mas volto.
O governo de São Paulo decidiu dar eficácia à lei que permite a internação de dependentes químicos que perderam a condição de fazer as próprias escolhas. E atua cercado de todos os cuidados. Recursos públicos estão sendo empregados para mobilizar médicos, juízes, Ministério Público e OAB. Trata-se, já escrevi aqui, de uma situação realmente delicada. A chance de haver abusos em casos assim é grande. Daí a necessidade de cuidar das margens de erro.
Muito bem! O que fez o padre? Foi para a rua, como é de seu costume, quando, do outro lado, existem iniciativas que não são comandadas pelo PT, um dos ídolos pouco pios diante do quais ele se ajoelha.
Tenta pespegar na iniciativa a pecha de “higienismo”, selo que passou a usar para designar supostas ações de “limpeza social”, que, de fato, nunca existiram. Qual é a tese do padre? As cidades brasileiras precisam de assistência social, de especialistas que atendam os drogados nos lugares onde estão, que acompanhem o seu caso etc. e tal. Lancelotti, pelo visto, acha que todo drogado de rua tem direito a uma espécie de babá, que, segundo se entende, tem de respeitar “a sua vontade”, como afirmou outro padre, também presente ao protesto.
Absurdo

Não nos damos conta do absurdo que há numa coisa chamada “Pastoral de Rua”. Ora, que houvesse religiosos — mas religiosos mesmo, com a caridade na mão e a Bíblia na cabeça — dedicados a minorar as agruras de quem mais sofre, eis algo que me parece razoável. Desde que a perspectiva e o objetivo seja tirar as pessoas da rua. Mas não! Os Lancelottis da vida convertem o morar na rua num “direito”. Esses moradores são vistos como uma “categoria social”, que passariam a ter demandas próprias de sua condição. “Ah, Reinaldo, normal e lógico; se são moradores de rua, terão reivindicações específicas.” Sim, normal e lógico desde que, reitero, o horizonte seja sair da rua. Mas não! É o contrário: o que se quer é aprimorar as condições que permitam a essas pessoas continuar… na rua!
Trata-se de uma perversão escandalosa do princípio da caridade, presente, ademais, em outras pastorais. Vejamos o caso dos padres que lidam com índios. Ora, a função de um sacerdote, a primeira e, a rigor, a única é lutar pela aplicação dos princípios cristãos, segundo entende a Igreja Católica. Notem: qualquer padre pode deixar a igreja e se converter num desses antropólogos moralmente homicidas que justificam o assassinato de crianças “em nome da cultura”. Ninguém precisa pertencer à hierarquia católica para defender que os índios têm o direito natural à estagnação… Mas não! Esses pervertidos entram na Igreja Católica para tentar preservar, na sua imaginação aloprada e ignorante, o “bom selvagem de Rousseau”. Foi assim que, na prática, a Igreja Católica apoiou a expulsão dos arrozeiros de Raposa Serra do Sol. Resultado: miséria, fome e favelização. Não foi Deus que inspirou os padres a apoiar aquela luta. A ter sido algum ente que está além de nós, foi o diabo.
O mesmo diabo — e falo por metáfora — que leva Lancelotti e outro reacionário de batina a se mobilizar contra a internação compulsória de pessoas que não podem escolher. Noto à margem que, no Rio, crianças já são internadas à força. A internação é ainda uma exceção porque a cidade e o estado não têm onde abrigar os viciados. De todo modo, por lá, os petistas ficaram de boca fechada. São governo. Alexandre Padilha, ministro da Saúde, já se disse favorável à prática. Em São Paulo, no entanto, Fernando Haddad, o Supercoxinha do subjornalismo deslumbrado, se junta aos críticos do programa. Adiante.
Quando a hierarquia católica permite que Lancelotti participe de atos assim, como se estivesse a levar adiante a voz da Igreja, é a instituição que se rebaixa ao entendimento perturbado de um homem, ocasionalmente padre. Desafio este senhor a demonstrar que fundamento da religião ou da dignidade humana está sendo desrespeitado com o programa.
Existe uma diferença entre a ajuda e a concupiscência da caridade. Leiam o contoA causa secreta, de Machado de Assis. Quem conhece já sabe; quem ainda não leu, recomendo vivamente, deve fazê-lo. Ali aparece a figura de Fortunado, homem que tinha especial inclinação para ajudar os que sofriam… Por que o fazia? Bem, ele tinha uma causa secreta…
A dor dos que sofrem tem de ser minorada; ela não existe para que padres exercitem seus amores e seus ódios privados. Ou para que deem vazão à sua “causa secreta”.
Por Reinaldo Azevedo

Fonte: Veja Abril


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