26 junho 2014

Caso Pedreiro Amarildo 'x' Caso Soldado Fonseca (Atualizado)


26/06/14 - Por Dennis Guerra: Nesta última semana mais um caso de um policial covardemente assassinado se repete. Desta vez, o corpo do Soldado PM Rodrigo de Lucca Fonseca foi localizado na tarde deste terça (24). Sem entrar no mérito das investigações, o



que muito se tem comentado nas redes sociais é o papel da grande mídia, assim como setores. Por exemplo, em um caso de repercussão no país, o do pedreiro Amarildo, veja esta declaração:

"... O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) designou que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que faz parte da entidade, acompanhe junto à Justiça os desdobramentos do caso do desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, 43. De acordo com o Ministério Público (RJ), a decisão do procurador-geral de Justiça Marfan Martins Vieira levou em conta o trabalho investigativo que o grupo "desenvolve em alguns dos crimes de maior repercussão no país, bem como no combate a organizações criminosas que envolvem, direta ou indiretamente, policiais corruptos, auxiliando no controle externo das polícias..." . Fonte: UOL Notícias

Até aí, correto. Este é mesmo o papel do Ministério Público - de modo geral. O que muitos policiais se perguntam nesse momento é o porquê não existir uma mobilização da sociedade de forma tão ampla e engajada quando o mesmo ocorre com um policial - e diga-se de passagem, não importa aqui à qual corporação pertence o agente. 















O que se percebeu nos últimos dias foi uma preocupação sim, dos familiares, amigos e colegas de profissão - e do Poder Público até onde é a sua função. Em nenhum momento viu-se o governador do Estado de São Paulo ou mesmo o secretário de Segurança Pública demonstrarem preocupação com o ocorrido. E se ocorreu, foi ínfimo. E vamos considerar ainda que não estamos falando aqui de um caso específico, pois exemplo é o que não falta.


Curiosidade: em uma rápida pesquisa na internet, você poderá verificar que a nomenclatura Caso Amarildo virou até mesmo verbete na  Wikipédia. Já no caso de Policial Desaparecido você encontra a seguinte mensagem:

Pode criar a página com o título "Policial desaparecido", mas verifique se há alguma página sobre esse assunto com outro nome nos seguintes resultados da busca (caso existam).

Em outras palavras, não existe tema sobre o assunto. Enquanto isso, segundo a polícia, suspeitos fizeram churrasco após morte de PM. Saiba mais:



"... policiais militares da Rota fizeram a prisão. Na casa do suspeito, os agentes ainda apreenderam uma blusa que ele usava quando foi flagrado por câmeras de segurança usando o cartão de crédito da vítima para fazer compras. Uma bicicleta adquirida da mesma forma também foi apreendida. "Ele confessou que foi um roubo e quando descobriu que se tratava de um PM começaram a torturá-lo. Porém, ele diz que não participou da execução", contou o tenente da Rota, Silvio Rodrigo Pronestino..." Fonte: G1



Outro suspeito de participar do sequestro e morte do PM Rodrigo de Lucca ainda está foragido (Foto: Reprodução/TV Diário)

E também não estou chamando a atenção para o Caso Amarildo afirmando que ele era ou não culpado de algum crime. Mesmo porque o policial Fonseca também não o era. 







Até agora, conforme seguem as atualizações sobre o caso, ainda não localizei comentários do Ministério Público, Secretaria de Direitos Humanos ou Defensoria Pública sobre o assassinato. Caso esteja enganado,  por gentileza entrem em contato. 

A questão é analisar o quão somos empenhados em julgar o poder público na figura de seu agente e nos solidarizarmos em outros casos. Somos?!

Analise a reprodução do áudio que circula pelas redes sociais sobre a morte, não de um policial, e sim de um ser humano:

"... Estou indo para o trabalho agora (...) meu irmão De Lucca, em especial meu amigo (...) tive o privilégio de conhecer ele, sei o caráter dele (...) ele foi executado, ele ficou amarrado, preso (...) a autópsia dele constatou a morte dele com 28 horas, logo ele passou o final de semana amarrado, sequestrado. Foi torturado, quebraram todos os dentes da boca dele. Bem judiado nosso parceiro. Tomou tiro na nuca. Esse tiro matou ele instantaneamente. Tomou mais quatro tiros, deram um para 'esculachar' ainda, só pra zoar, com requintes de crueldade (...) ele foi executado, morte encomendada, QRU (ocorrência) (...) teve a cara marcada. Policiais militares, isso é pra nós em geral: Só o fato de ser policial militar a gente já 'tá 50% morto. Se a gente vacilar e o ladrão pegar, ele vai matar a gente. Se ele levar a gente ele vai zoar a gente. F***, já que a gente vai morrer, que se f***. Que morra lutando, que morra na rua. Se é pra gente tomar tiro, que tome tiro num lugar que ainda possa ser socorrido, amparado por alguém. Porque se te levarem pro mato como fizeram com o meu irmãozinho lá véio, a gente 'tá ferrado. Vamos ficar atentos para proteger a nós e à nossa família, porque se a gente vacilar, o ladrão vai matar a gente (...)".   Fonte: Preservada

 E AINDA: LUTO: Assaltantes baleiam 2 GMs em Sumaré, um Patrulheiro morreu

Será que a vida de um seria mais importante do que a do outro? Sinceramente, sabemos que não. 

Sobre o autor: Dennis Guerra - Brasileiro, 38 anos de idade, casado: Doze anos na Guarda Civil Metropolitana; Onze anos na função de Motociclista; Gestão Específica. Cursos SENASP: Condutor de Veículos de Emergência; Violência, Criminalidade e Prevenção; Técnicas e Tecnologias Não Letais para Uso Policial; Capacitação em Educação para o Trânsito; Aspectos Jurídicos da Abordagem Policial e Uso diferenciado da Força. Outros: Táticas Operacionais Defensivas - CFSU; Escolta e Batedor com Motocicletas - PRF; Pilotagem Segura com Motocicletas CET; Pilotagem Defensiva Honda Indaiatuba Curso de Educador - CFSU.


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