30 março 2014

Todos esperam uma chance ou ‘um gato de rua chamado Bob’

30/03/14 - Por Dennis Guerra: Na atuação como operadores de segurança, nos deparamos com inúmeras situações envolvendo pessoas que vivem pelas ruas da cidade - utilizando um termo mais politicamente correto: pessoas em situação de risco.

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O trabalho

Com ordem direta de atuação nesse sentido, o senhor Francisco (nome fictício) foi uma das primeiras pessoas com que falei em uma certa manhã de 2008. Ele aparentava ter por volta dos sessenta anos de idade. Perguntei se poderia organizar melhor os seus pertences pessoais, para facilitar o trânsito das outras pessoas. Com um sorriso no rosto respondeu: Mas é claro!

Após a nossa conversa, ele se colocou junto à equipe para que nos dirigíssemos aos demais ocupantes da praça. Aproximando-nos das pessoas, explicávamos que ocupar as calçadas da maneira como estavam (deitadas, por exemplo) poderia gerar incidentes desnecessários o que, sem dúvida, era um risco para eles mesmos, assim como aos outros. Oferecíamos apoio da assistência social do município - o que, na maioria das vezes, é rejeitado. Agradecíamos e dizíamos que ficassem à vontade, e se precisassem de nós, era só chamar.

Agradecemos a companhia do senhor Francisco e todo o apoio que ele nos concedeu naquela manhã. Eu me perguntava o que teria levado aquele homem a viver nas ruas.

O nome

Cerca de uma hora - ou mais - depois, novamente encontrei o senhor Francisco. Enquanto caminhávamos em direções opostas, lhe acenei e perguntei: E aí Seu Francisco, tudo tranquilo?

Ele não me respondeu. Acreditando que ele poderia não ter ouvido a minha pergunta, insisti:
Seu Francisco, o senhor está bem?

Espantado, ele disse apenas: O senhor lembrou o meu nome!

A vida

Passamos um tempo conversando. Ele me explicou o que o levou a viver daquela maneira, o que, realmente não vem ao caso. Basta afirmar que poderia ter acontecido comigo ou com você, que se deu ao trabalho de acompanhar este texto até aqui.

Ele disse que uma das piores coisas de se viver nas ruas é tornar-se invisível. As pessoas passam e não te veem. É como se você não existisse, ele afirmou.

“O senhor me chamou pelo o meu nome. O senhor se lembrou de mim”.

Conforme a vida passa, nos preocupamos cada vez mais com coisas que nos parecem realmente necessárias, e acabamos por nos importar menos com outras que parecem irrelevantes. O que parecia, de certa maneira, irrelevante para mim, na verdade era o mais importante para o Seu Francisco àquela altura da vida - e na situação em que se encontrava: ser visto e lembrado.


A dica Atualmente estou finalizando a leitura do livro O Mundo Pelos Olhos de Bob – As Novas Aventuras de James e Seu Gato, a continuação de Um Gato de Rua Chamado Bob, um best-seller que conta a história do inglês James Bowen (um ex-dependente químico que viveu nas ruas de Londres) e um gato que ele encontrou ao chegar certa vez em seu apartamento - Bob.




Vale à pena ler essa emocionante história de amizade e recomeço... 


Assista ao vídeo abaixo, citado no primeiro volume:





No final, acredito que pessoas como o Seu Francisco estão apenas à espera do seu gato de rua chamado Bob. Espero que encontrem. E porque profissionais da área de segurança poderiam se interessar por uma leitura como essa? Talvez para nunca deixarmos de enxergar essas pessoas.






Sobre o autor deste artigo - Dennis GuerraBrasileiro, 38 anos de idade, casado: Doze anos na Guarda Civil Metropolitana; Onze anos na função de Motociclista; Gestão Específica. Cursos SENASP: Violência, Criminalidade e Prevenção; Técnicas e Tecnologias Não Letais para Uso Policial; Capacitação em Educação para o Trânsito; Aspectos Jurídicos da Abordagem Policial e Uso diferenciado da Força. Outros: Táticas Operacionais Defensivas - CFSU; Escolta e Batedor com Motocicletas - PRF; Pilotagem Segura com Motocicletas CET; Pilotagem Defensiva Honda Indaiatuba Curso de Educador - CFSU.


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