2010 / 2017

"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada"
Edmund Burke

"O Cão De Guarda Notícias era uma janela para o mundo que esteve aberta entre os anos de 2010 a 2017, deixando agora um vazio enorme em meu coração" Por Dennis Guerra

07 março 2014

Reestruturação - Pensando como soldado (e como pai de família)

07/03/14 - Por Dennis Guerra: Já faz certo tempo que aguardo pelo momento oportuno para apresentar o meu posicionamento sobre um tema que toma a atenção de muitas pessoas que acompanham este site. E o tema é reestruturação.

VEJA TAMBÉM: Polícia no Brasil - Discussão parcial dos fatos

Nesse caso, fico um tanto preocupado sobre certas postagens e comentários, que vem se tornando cada vez mais comum nas redes sociais e, também, no dia-a-dia de serviço. Sempre que possível, faço a minha parte reproduzindo aqui o que é de interesse do público visitante do site. Isso não significa que concordo (ou discordo) com a maioria das ideias - total ou parcialmente. Evitarei tornar este texto algo muito extenso, tentando ser o mais sucinto possível:

1° - Desligamento

Um exemplo disso é acreditar que o desligamento de entidades representativas é o caminho para se resolver certos problemas - principalmente quando o assunto tem relação direta com a sua carreira e com o seu salário. Na minha opinião, desligar-se é dar mais força aqueles que você discorda - mas os Vinte e Tantos Reais são descontados do seu salário, e cada um sabe onde o calo aperta.

Está no espírito do brasileiro acreditar que os seus representantes serão os salvadores da pátria. Já na época do Primeiro Reinado - Brasil Império foi assim (e parece que não aprendemos nada). E quando percebem a falta do messias, simplesmente dão as costas e deixam para lá.

Deveríamos fazer exatamente ao contrário: uma campanha ao inverso, clamando por uma filiação em massa. Comparecendo em reuniões que (por falta de espaço) demandassem lugares mais amplos. Mas aí vem o serviço extra, o carro no mecânico, o trem lotado, a roupa para lavar (e outras milhares de desculpas), sem contar a velha estória de que não adianta nada participar dessas reuniões porque quem está lá não 'tá esquentando a cabeça... parece que nem você!

Aí você me perguntaria: Então você concorda com tudo o que está aí? A minha resposta é: concordando ou não, eu não acredito em messias e não deixo as minhas responsabilidades (participação) de lado.

2° - Paralisações

Outra coisa é acreditar que movimentações que visem a paralisação de uma instituição policial é o melhor caminho. Penso que, como já passamos por isso, talvez devamos avaliar melhor as coisas. No meu entendimento, cruzar os braços não seria a estratégia mais apropriada a ser utilizada.

E qual o maior problema de uma paralisação? Se for nos mesmos moldes da que ocorreu a alguns anos, a imagem institucional maculada (e a vida funcional também). Parece bobeira, não? Bom, pelo menos para aquele que está mais preocupado com a sua própria conta bancária, a resposta deve ser sim. Porém, institucionalmente, existe o risco de passar uma imagem equivocada à população - e esta nunca deverá ser enganada, iludida ou maltratada com a falta de apoio/auxílio.

VEJA AINDA:

E quem vai nos auxiliar? Nós mesmos, se tivermos vergonha na cara de fazê-lo da maneira correta. E concordo plenamente que 6 mil integrantes da Guarda Civil Metropolitana esperam ter o seu valor reconhecido.

Penso como soldado (aquele que não se abala no campo de batalha). Porém, também penso como pai de família (aquele que se abala quando não consegue conceber à sua família uma vida digna).


Sobre o autor: Dennis Guerra - Brasileiro, 38 anos de idade, casado: Doze anos na Guarda Civil Metropolitana; Onze anos na função de Motociclista; Gestão Específica. Cursos SENASP: Violência, Criminalidade e Prevenção; Técnicas e Tecnologias Não Letais para Uso Policial; Capacitação em Educação para o Trânsito; Aspectos Jurídicos da Abordagem Policial e Uso diferenciado da Força. Outros: Táticas Operacionais Defensivas - CFSU; Escolta e Batedor com Motocicletas - PRF; Pilotagem Segura com Motocicletas CET; Pilotagem Defensiva Honda Indaiatuba Curso de Educador - CFSU... Pai de família.



8 comentários:

  1. a se na guarda tivesse mais Dennis Guerra mais que se manifestasse sem medo. com certeza esta guarda seria outra. parabéns guerra.

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  2. Lutar SEMPRE, cruzar os braços JAMAIS. Parabéns Guerreiro.

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  3. Quando se reestrutura uma carreira no mundo corporativo, seja ele público ou privado, o principal fator a ser levado em consideração é otimizar o “negócio”, focando sempre o crescimento e o fortalecimento da Instituição, com base em um cenário de permanente concorrência. Cujos nocivos danos, infelizmente, conhecemos bem.

    Para tal; focando na profissionalização, é imperioso ter nos cargos de maior complexidade, aqueles que possuem mais qualificação. A antiguidade deve ter seu peso na contagem para o enquadramento, óbvio, mas não deve ser o fator primordial, qualificação é o principal item a ser considerado, quando se leva a sério o proposito de fortalecer os pilares da Guarda.
    O SindGuardas em seu valoroso empenho para negociar a melhor proposta para “O” guarda civil metropolitano, deixa em segundo plano “A” Guarda Civil Metropolitana. A proposta do sindicato, tem seu mérito por reintroduzir os clássicos cargos de Classe Especial e Sub Inspetor, porém, da forma que se apresenta, desprestigia o mérito e valoriza a acomodação, ferindo o principio da Eficiência, o que a torna contrária ao Interesse Público.

    Não estão levando em consideração aqueles que se preparam para subir na carreira, seja por idealismo ou realização pessoal/financeira, e optam por estudar e se qualificar, a esperar que o tempo se encarregue de lhe trazer graduações ou postos no oficialato.

    Sempre criticamos a logica militar punitiva de organização da Guarda, porém, a máxima militarista; “Antiguidade é Posto. Recruta!” que; anacrônica e contraditoriamente se apresenta na proposta do Sindicato, prejudicará a nossa Guarda Civil Metropolitana em seus objetivos institucionais e continuará a tirar das fileiras da Corporação os mais jovens e com maior qualificação, pois não está no perfil das novas gerações esperar que as coisas caiam do céu.

    Temos em jogo, neste vital e histórico processo de reestruturação, dois interesses; Dos mais modernos e por que não ambiciosos, que querem fazer da Guarda Civil Metropolitana uma polícia profissional, forte e moderna, e a geração que heroicamente ajudou a fundar as bases da força armada da maior cidade do Hemisfério Sul, buscando o justo reconhecimento. Esperamos que o Poder Público decida o que é melhor pra GCM e para São Paulo.

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  4. Extremamente oportuno, o artigo de autoria de Dennis M. Guerra, trás a discussão como e o que queremos. Apesar de discordar de alguns pontos, foi com muita felicidade que recebi o artigo.
    Felicidade, porque trata-se da discussão, do pensar, do refletir sobre questões que devem mudar nossa vida a curto, médio e longo prazo.
    Quanto as convergências posso destacar a preocupação do autor com a força que teremos ou não ao tomar medidas impensadas e que, com a conveniência para alguns, circulam em nosso meio.
    Mas divirjo de alguns, como próprio titulo. Não sou um soldado, sou um policial. Com relação ao manifesto sobre paralisações, digo que negar, é como deixar a guarda desarmada. Você pode ter definida uma escala de aplicação de força, com a presença, com a tonfa, com o espargidor, com a pistola de choque, mas sem a arma letal a escala é incompleta e impede o Guarda de atingir o objetivo quando for necessário ir até o final. Greve é o último recuso, e deve ser dissociada de interesses meramente políticos, mas nós enquanto trabalhadores temos que manter acessa a possibilidade de paralisação caso o patrão Haddad deixe de atender minimamente o que foi acordado,

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  5. É incrível a condição que a Guarda Civil vive, quando entrei nesta Instituição ela ia fazer 08 anos de existência, houve na época uma reestruturação onde vários integrantes foram beneficiados, hoje muito deles em posição de Comando, de lá em diante o que aconteceu foi vários conflitos internos no que diz a estrutura e pouco se foi debatido uma Politica de Recursos Humanos onde o Profissional estivesse certo do que seria sua vida Profissional, além disso tudo foi feito muito a toque de caixa, houve membros que se especializaram, buscaram conhecimentos, levaram para a Instituição sem onerar a GCM e o onerado foi o Profissional tanto financeiramente como maculado por estar tentando levar a instituição ao Futuro, um dos maiores problema s foi a briga de egos, onde a palavra eu sou , eu fui, é a expressão máxima da Doença Institucional, levando o ser a falar de sua graduação como primeira pessoa e se agarrando a todo custo em continuar desse jeito, levando milhares de pessoas a estagnação Profissional, então é importante ver o Histórico para entender essa reação em cadeia a qual obstrui o andamento da carreira, a Instituição não pode de maneira alguma estar ligada a um tipo de poder abstrato no meu ver de só algumas pessoas, fato esse que já mudou muito, para ser reconhecida a Instituição não pode ficar sempre ligada ao momento Politico, a Interesses de um Grupo, ela tem que ser legitima, temos que verificar também um mal que esta nos assolando, devido a todos esses Problemas internos muitos integrantes estão doentes, e quando fica doente é de certa maneira marginalizado, pergunto: alguém esta vendo este mister, pois a Instituição esta acabando aos poucos, pois os Profissionais neste momento estão tentando de todas às formas como se livrar, é triste pois muitos ou a maioria de nós um dia sentiu prestigio em ser das fileiras desta Instituição Policial de Direito.
    Em falar em instituição Policial, temos que acabar com essa propaganda de ter poder de Policia, isto vem de outra Força que sabe e teme, pois mais amplo o pensamento sabe-se que a GCM é órgão Policial de fato e Direito, precisamos fazer como nossa Policia vizinha faz, PROPAGANDA mas uma propaganda onde mostra uma Policia de contato com a Sociedade ou seja uma Policia de aproximação, o Famoso Policiamento comunitário, para que a Sociedade e os órgãos de imprensa saibam realmente que existimos e somos legítimos, que ao invés de problemas internos, tenhamos reconhecimento externos, não Podemos mais pensar pequeno, é claro que nosso Ordenado esta totalmente defasado e faltam técnicos para prosseguir nos trabalhos, mas precisamos parar de pensar só no eu e pensar coletivo, parar de apenas cumprir horário e deixar o tempo passar. É preciso de novo acreditar.

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  6. Guerra, primeiramente, meus parabéns pelas suas posições, sempre coerentes e com as quais, você sabe, concordo.

    Mas devo dar os parabéns também ao Tadeu, quando diz "Não estão levando em consideração aqueles que se preparam para subir na carreira, seja por idealismo ou realização pessoal/financeira, e optam por estudar e se qualificar .....", dizendo mais: não estão levando em consideração o básico, aqueles que já necessitaram de qualificação para ingressar nos quadros da Corporação.

    Posso estar legislando em causa própria, mas já fomos prejudicados no passado e continuaremos a ser prejudicados agora, assim como outros.

    A máxima militar "antiguidade é posto" tem criado Frankensteins na Corporação, visto que os "novinhos" que muitas vezes não dão novidade são sempre prejudicados, deixando de lado aqueles que são sempre novidade na Unidade, mas mais antigos.

    As Chefias e os Comandantes devem prezar mais pelos Princípios da Eficiência e Eficácia e menos pela Antiguidade pura e simples, sem qualquer juízo de valor em relação ao trabalho executado pelos valorosos GCM´s CD´s e Inspetores.

    Temos GCM´s qualificados, até pela propria corporação, longe de sua qualificação, temos CD´s encostados em cargos aos quais não mais pertencem por força de decisão jurídica, somente recebendo sem exercer a função determinada pela Justiça, e, ainda, temos Inspetores com formação superior e Curso de Comando atuando somente como Supervisores.

    Como se pensar somente em antiguidade?

    Por outro lado, a mobilização é necessária, mas não a greve. A mobilização passa por pressão, conhecimento da legislação e manifestações de desagravo as quais devem ser feitas de forma ordeira e consciente nas redes sociais e mídia aberta, a fim de que possam ser ouvidas pela população, pelas chefias, Comandantes e população, quem sabe assim os Governantes nos percebam como somos: IMPORTANTES E IMPRESCINDÍVEIS para a Cidade.

    Abraço a todos.

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  7. Agradeço a todos vocês pela participação e comentários. Nada melhor do que apresentar as próprias ideias (sim, de forma equilibrada e sem anonimato) e receber tantos outros pontos-de-vista para aprender um pouco mais sobre esses e outros assuntos. Obrigado a todos!

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  8. Bom Dia, minha idéia se até maio não sair a reestruturação da GCM de SP e formos fazer greve que iriamos nos dias de folga assim seja que pelo menos 1000 GCMs de frente o gabinete do prefeito não teria como achar que a greve é ilegal ...

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