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10 janeiro 2014

Prédios de SP mantêm a memória de artistas - Imóveis onde viveram Raul Seixas e Elis Regina, por exemplo, viram 'pontos de peregrinação'

10/01/14 - ARTUR RODRIGUES - O Estado de S.Paulo: Já se passaram 23 anos da morte de Raul Seixas, mas o Edifício Aliança, na região central de São Paulo, continua sendo o endereço das peregrinações dos inabaláveis fãs do cantor. O zelador Antônio de Souza, de 48 anos, última pessoa a vê-lo vivo, às vezes se passa por outra pessoa para poder trabalhar em paz.

O assédio aumentou depois do lançamento do documentário Raul - O Início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho, no mês passado. No filme, Souza conta os últimos momentos do cantor, que chegou ao prédio bêbado e teve de ser carregado por ele até o elevador. Depois, de manhã, foi achado morto em seu apartamento. "Um rapaz me viu no filme e veio me procurar, mas eu disse para ele que o zelador havia sido demitido", conta, bem-humorado. "O fã ficou revoltado e queria falar com o síndico de qualquer jeito. Ameaçou ficar pelado em protesto."
Não importa quanto tempo tenha se passado, lendas sempre deixam vestígios, maiores ou menores, nos locais onde moraram. No Copan, que já foi moradia de famosos, como Cauby Peixoto, quem deixou marcas mais profundas foi o escritor e dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999). Síndico há 19 anos e morador do prédio na República há 49, Affonso de Oliveira, de 72, sente saudades das conversas com o amigo no Café Floresta, que ainda funciona no condomínio. "A imagem do Plínio permanece no Copan, cruzo com ele todos os dias quando ando pela galeria."
Oliveira conta que o escritor morou por oito anos no prédio, em duas quitinetes diferentes, entre as décadas de 1980 e 1990. E, no trato pessoal, o autor de tramas cheias de violência revelava-se um gozador. "Ele colocava apelido em todo mundo, não chamava ninguém pelo nome."
Não sobrou ninguém que tenha convivido com o escritor Monteiro Lobato (1882-1948) no Edifício Jaraguá, na Rua Barão de Itapetininga, na República. Mas, graças aos passeios monitorados, o local onde ele morou até morrer não foi esquecido. Do lado de fora, uma discreta placa informa que ali já foi o endereço do criador do Sítio do Picapau Amarelo.
Depois de pesquisar muito sobre o assunto, o guia turístico Laércio Cardoso de Carvalho, de 64 anos, incluiu o local como ponto de seus roteiros. Segundo ele, Lobato morou de favor no último andar do prédio da família do amigo e também escritor Caio Prado Júnior. "Um homem que foi milionário acabou morrendo no apartamento em cima da editora que editava os livros dele, a Brasiliense."
Perto dali, na Praça da República, também nos anos 1940, morava o pintor modernista Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Na época, ele e sua mulher, a também pintora Noêmia Mourão, levavam uma vida cheia de glamour em uma época em que a degradação passava longe da região central.
Atual proprietária do apartamento de quase 400 metros quadrados, a advogada Márcia Olmos, de 64 anos, às vezes imagina a paisagem que ele via quando olhava pela janela da cobertura do Edifício Esther. "Devia ser mais bonito ainda", diz ela, que transformou o local em escritório.
Mapa musical. A única lembrança física da intérprete Elis Regina (1945-1982) no Edifício Mello Alves, nos Jardins, zona sul, fica do lado de fora: uma árvore plantada em sua homenagem. No entanto, 30 anos depois de sua morte, de vez em quando aparecem fãs cantando por lá.
No Hotel Jaguar (antigo Jandaia), nos Campos Elísios, região central, onde o cantor Roberto Carlos morou nos anos 1960, quem canta é a nova geração de hóspedes, como as bandas Saia Rodada e Cavaleiros do Forró. Com 32 anos de casa, o gerente Manuel Igreja é o funcionário mais antigo do hotel na Avenida Duque de Caxias, não chegou a conviver com o rei, mas sabe de muitas histórias de artistas que moravam ali por causa da proximidade com as gravadoras.
Já os moradores do Condomínio Santa Ignez, na Rua Aurora, na República, não imaginam que ali se fez história. Quando morava no apartamento 22 com a mulher, Mathilde, Adoniran Barbosa (1910-1982) compôs, em 1951, um samba baseado em uma história triste, que um certo Mato Grosso lhe contara na rua. Nascia a Saudosa Maloca.
Fonte: Estadão - SP

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