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24 janeiro 2014

'Foi tudo dentro da legalidade', diz delegada sobre ação na Cracolândia

24/01/14 - A delegada e diretora do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), Elaine Maria Biasoli, disse nesta quinta-feira (23) que a ação policial na Cracolândia que terminou em prisões e tumulto ocorreu "dentro da legalidade". Fonte: G1


"O Denarc não possui bala de borracha. Nós temos, sim, munição antimotim para intimidar. É bomba de efeito moral, só", disse.

Nesta tarde, por volta das 15h, agentes do Denarc realizaram ação para prender traficantes na região. Cerca de trinta suspeitos foram levados para averiguação, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil. Quatro suspeitos de tráfico de drogas foram presos. De acordo com a Polícia Civil, houve resistência por parte dos suspeitos e de usuários de drogas. Os policiais contam que foram atacados com paus e pedras e que três carros do Denarc foram depredados. Três policiais ficaram feridos.

"Quando chegaram lá, os policias foram recebidos à pauladas. Quebraram a viatura. Foi pedido reforço e nós mandamos para poder concretizar essa prisão", disse Elaine.
De acordo com a Polícia Civil, a operação teve início após o recebimento de uma denúncia de que um traficante atuava na região. "Não é uma ação surpresa da Polícia Civil. É uma ação diária, rotineira. Onde houver tráfico, o Denarc vai estar presente", afirmou a delegada.
Policial mostra ferimentos em operação (Foto: Lívia Machado/G1)
Policial mostra ferimentos em operação
(Foto: Lívia Machado/G1)
Segundo a Polícia Civil, a operação teve início após o recebimento de uma denúncia de que um traficante atuava na região.
Ainda de acordo com a delegada, o Denarc continuará atuando nas áreas em que existe tráfico de drogas na cidade. "Onde houver tráfico, a gente não dá tempo de avisar ninguém. Não é uma operação orquestrada. É uma ação diária do Denarc que vai continuar a acontecer. Aonde tiver tráfico, o Denarc vai", ressaltou.


Indignação
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), se disse indignado com a ação da Polícia Civil que terminou com prisões e tumulto na Cracolândia. "Foi uma ação completamente desnecessária e não pactuada", disse o prefeito.

Em nota, a Prefeitura informou que houve uso de bala de borracha e bombas de efeito moral contra "contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química". (Veja íntegra da nota abaixo)
No horário da ação policial, funcionários da Prefeitura e o secretário municipal de Segurança Urbana estavam na Cracolândia e faziam um balanço do Programa Braços Abertos, que busca oferecer vaga de trabalho para dependentes de crack. "Acho que o que nos cabe neste momento é manifestar essa indignação e reafirmar nosso compromisso com o programa (Braços Abertos) ", disse Haddad.
A operação
Facas apreendidas em ação da polícia (Foto: Lívia Machado/G1)
Facas apreendidas em ação na Cracolândia
(Foto: Lívia Machado/G1)
A ação ocorreu por volta das 15h após o recebimento de uma denúncia anônima. De acordo com a delegada Elaine Maria Biasoli, do Denarc, os policiais civis foram recebidos à pauladas e quebraram um carro descaracterizado, usado pela corporação. Em seguida, foi solicitado reforço e feitas as prisões. Facas foram apreendidas durante a operação.
De acordo com a reportagem da Rádio CBN, usuários de crack relataram o uso de bombas de efeito moral na abordagem policial. Tanto a Prefeitura de São Paulo quanto a Polícia Militar disseram não ter sido avisadas previamente da ação.
Por meio de sua assessoria, o Denarc disse que as prisões não fazem parte de uma operação específica, mas integra as ações rotineiras que o departamento de combate ao tráfico já realiza na região. Para essas ações, o Denarc diz que não costuma pedir apoio de outras forças policiais. Desde o dia 1º de janeiro, ao menos 33 suspeitos de tráfico já foram detidos na região da Cracolândia, segundo a assessoria do departamento.

Braços Abertos

O programa da Prefeitura busca oferecer emprego para usuários de crack. Ao apresentar o programa no começo do mês, o prefeito Fernando Haddad tinha criticado ações violentas e "higienistas" já adotadas contra os usuários de droga na região.

No total, a Prefeitura ofereceu 400 vagas para que usuários trabalhem em atividades de zeladoria em praças. Com a iniciativa, os usuários deixaram barracos nas calçadas nas ruas Helvétia e Dino Bueno e se mudaram para cinco hotéis na região.

O custo por pessoa para a Prefeitura será de cerca de R$ 1.215 mensais por participante, incluindo por exemplo os valores que serão pagos com os hotéis. Os participantes terão café, almoço e jantar pelo programa Bom Prato.

Dependentes que têm companheiros ficarão em um quarto. No caso dos solteiros, eles ficarão hospedados em quartos com três ou quatro pessoas, segundo a Prefeitura.

Apesar do foco no trabalho, a ação é voltada e comandada pela área da saúde. O atendimento se dará especialmente no equipamento denominado Braços Abertos, instalado na região. Equipes do programa Consultório de Rua, que são vinculadas à UBS Santa Cecília e fazem abordagem aos usuários, continuarão o trabalho.

Nota da Prefeitura

Confira abaixo o posicionamento oficial da administração municipal:

"A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil.

A Prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A "Operação de Braços Abertos" é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não-violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força.
Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.
Secretaria de Comunicação
Prefeitura de São Paulo
"
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Ação da Polícia Civil termina em prisões e tumulto na Cracolândia. (Foto: JF Diorio/Estadão Conteúdo)Ação da Polícia Civil termina em prisões e tumulto na Cracolândia (Foto: JF Diorio/Estadão Conteúdo)
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Ação da Polícia Civil termina em prisões e tumulto na Cracolândia. (Foto: JF Diorio/Estadão Conteúdo)Ação da Polícia Civil termina em prisões e tumulto na Cracolândia (Foto: JF Diorio/Estadão Conteúdo)





















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