21 janeiro 2014

Essa subcultura vem crescendo de maneira assustadora entre os adolescentes e jovens, ricos ou pobres, e que tem a sua manifestação mais intensa na música (estimulando crimes como roubos, assassinatos, tráfico e consumo de drogas, formação de gangues, tortura, ódio a polícia e a pessoas com maior poder aquisitivo, etc.), nas roupas, no modo de falar e nos gestos.
Essa subcultura não poderia existir sem todo um aparato ideológico que vê o conjunto existencial humano como um esquema ridículo de "luta de classes" e que por meio de "teses" acadêmicas e de políticas equivocadas e com a sua divulgação na grande mídia, alimenta e retroalimenta esse círculo vicioso de apologia a tudo de ruim que pode existir em uma sociedade, gerando morte, dor e sofrimento.
Sinais individuais e coletivos da cultura criminal.
Os sinais externos da cultura criminal podem ser individuais ou coletivos.
Sinais individuais: Roupas, linguagem, tatuagens, cordões, adereços e gestos.
Sinais coletivos: Músicas, Símbolos, marcas e gírias que unem o indivíduo em um etos coletivo, onde ele passa ter um senso de pertencimento. Esses sinais são produzidos e não surgem espontaneamente, sendo sua difusão própria para a mudança individual e depois da sua absorção na cultura coletiva. Seria impossível a sua disseminação na sociedade sem o apoio total, inclusive financeiro de órgãos ligados ao próprio governo, que faz shows caríssimos de acesso público e contrata grupos de música que estimulam o crime e a violência  por exemplo, e de grandes empresas e grupos financeiros, de todas as atividades, e da grande mídia, que por meio de páginas, selos musicais, livros, filmes, marca de roupas, dentre outros, produzem e difundem esses símbolos criminais, usando, como sempre, o apelo ideológico da "luta de classes" e de que os marginais são revolucionários que combatem a desigualdade social. É comum, tanto no Brasil quanto no exterior, que em grande parte dos filmes o herói seja o bandido, ou que ele seja retratado como "um cara legal, só que ele não aceita o mundo como ele é", e os membros da autoridade, sejam eles policiais ou militares, são retratados como torturadores, sádicos, estúpidos, corruptos, etc. Vários estudos e pensadores apontam que esse tipo de filme causa impacto no subconsciente das pessoas, principalmente as mais jovens. Outro disseminador são as novelas, especialmente da TV Globo, que mostram exatamente isso, além de atacar pesadamente todos os valores tradicionais da família, da moral e da religião. É comum que o núcleo da trama das novelas gire em torno de adultérios, ciúmes doentios, imoralidade, promiscuidade sexual, rebelião dos filhos e das esposas, etc.


Sinais individuais
Os primeiros sinais individuais da cultura criminal se manifestam ainda na segunda infância e na adolescência, sendo o primeiro a se manifestar é a linguagem, reproduzindo os sinais coletivos das gírias. Em algumas Sociedades a massificação dessas gírias consegue inclusive mudar a linguagem normal das pessoas não criminosas, incorporando as gírias as conversações cotidianas. Um exemplo clássico é a cidade do Rio de Janeiro onde as gírias da marginalidade e sua forma própria de pronunciá-las incorporou-se a fala de quase toda a população não criminosa.

Linguagem: Gírias
Essa linguagem tem por objetivo, em um primeiro momento, valorizar o grupo, com uma maneira própria de falar e dar nomes que somente os membros sabem o que significa exatamente. Isso se aplica a cargos e funções do crime, como aviãozinho, vapor, segurança, boca, carga, pacote, peças, etc.

Roupas
As roupas seguem essa mesma tendência, sendo o primeiro sinal visível da pessoa como membro de um grupo criminoso, ou que é isso que o indivíduo quer que os demais pensem. O objetivo é o mesmo da linguagem, dar senso de pertencimento ao jovem com o grupo que ele considera poderoso. Em um primeiro momento as roupas são comuns só que usadas em combinações que passam essa mensagem de crime. Por exemplo, o uso de bonés de abas retas, camisas de times de futebol (de preferência de times europeus), bermudas longas, correntes, óculos de sol, chinelos ou tênis. Em um segundo momento elas são compradas diretamente das lojas direcionadas e que são parte ativa da cultura criminal.
Tatuagens
As tatuagens são uma parte fundamental e antiga da cultura criminal, sendo usadas há séculos por razões diferentes mas com o mesmo objetivo: Intimidar e mostrar força e poder, ou marcar o "dono" daquela pessoa. 
As tatuagens são próprias de várias culturas e povos, sempre com um senso de sagrado e de espiritualidade. Geralmente o sentido de se tatuar é se consagrar a uma entidade colocando-se como sua posse. Esse costume foi mantido pelos séculos e é por isso que as legiões Romanas obrigavam os seus membros a se tatuarem com o número do seu Exército e batalhão. Ou seja, essa pessoa pertencia a outra instituição, ou ser, no caso o Exército. Esse é o mesmo motivo das tatuagens nas tropas da SS na Alemanha nazista e dos judeus nos campos de concentração, mostrar que a vida daquela pessoa não pertence a ela e sim a outro. É a pela mesma razão que se marca o gado, para mostrar quem é o seu dono.
Obviamente, além disso existe uma parte considerada mística nas tatuagens, onde o indivíduo se consagra a um ser ou ente espiritual, ficando na sua posse. Essa prática é usada nos meios criminais com vistas a "fechar o Corpo" e se proteger dos perigos das práticas criminais, dando-lhe uma sobrevida.

Tatuagens usadas por criminosos. Simboliza a sua periculosidade e isso dá prestígio no meio criminal.



Tatuagens usadas por criminosos. Simboliza a sua periculosidade e isso dá prestígio no meio criminal.

É comum que as tatuagens criminais tenham siginificados próprios em todo o páis, mas, também acontece de determinadas tatuagens serem usadas somente em uma região, estado ou cidade, o que dificulta a sua interpretação.

Infográfico de tipo penais tatuados na pele por criminoso.
Infográfico de tipo penais tatuados na pele por criminoso.

 

As tatuagens de presídio tem sempre um tom esverdeado:
 




Modelo de tatuagem de crime de homicídio, artigo 121 do Código Penal, com a sua consagração ao demônio com vistas a buscar proteção:


Geralmente, na subcultura criminal, as tatuagens demonstram um pacto, onde a vida do marginal é consagrada ao demônio e a sua obra, tendo em troca, uma proteção especial espiritual.

As tatuagens de presídio são esverdeadas, pois por serem feitas nas penitenciárias, se utilizam daquilo que se tem a mão, de maneira precária. Por isso, as tatuagens são feitas cortando a pele com um estilete, na forma das palavras ou de um desenho, e depois se mistura com tinta de caneta, geralmente bic, que reage com o sangue e marca a derme de maneira permanente.
As tatuagens tem também uma função de mostrar o crime que o indivíduo cometeu, pois assim como na polícia e nos meios militares se valoriza os conhecimentos ou as ações meritórias, e esses conhecimentos e ações são colocados na farda em forma de brevês e medalhas, os marginais se marcam para mostrar força e poder entre os seus pares.
Contudo, no meio criminal, se valoriza mais quanto maior e mais grave for o crime.
Existem também as tatuagens que mostram que o indivíduo pertence a uma gangue ou quadrilha. Nesse caso temos a tatuagem do PCC, uma carpa e das gangues de assaltantes que é o palhaço diabólico.
Tatuagem de Carpa (peixe japonês), membro do PCC.
Tatuagem de Carpa (peixe japonês), membro do PCC.


Tipos de tatuagem e os tipos penais:


Tatuagem de palhaço diabólico ou do personagem Curinga: membro de gangue e assaltanteO local da tatuagem também diz algo a respeito do crime em que o indivíduo se especializou ou a gangue a qual ele pertence. Aqui em Brasília a tatuagem do palhaço é feita, geralmente, na canela esquerda para o lado de fora.
Tatuagem de palhaço diabólico ou do personagem Curinga: membro de gangue e assaltante


Dificuldades atuais.
Uma das dificuldades atuais é proliferação de tatuagens sendo feitas por pessoas não vinculadas ao crime, onde os símbolos próprios da marginalidade são difundidos em grande escala, 
dificultando a sua identificação precisa. Em alguns casos a tatuagem pode complicar a vida de uma pessoa de bem, simplesmente por ter sido feita em um lugar visível e com um significado perigoso, por exemplo a tatuagem de carpa.
Em outros casos o intenção é clara de ofender e ameaçar os profissionais da lei, principalmente os da Polícia Militar, os quais os marginais tem um ódio profundo, devido ao rigor que os PM's os caçam.
 
Tatuagem de marginal preso por homicídio: Ódio a PM.





Gestos 
Os marginais também usam gestos para mostrar os seus gostos ou as suas especialidades. Um deles é para mostrar o uso de maconha e o outro para mostrar que cometem assaltos e crimes a mão armada.


É muito fácil identificar os usuários de maconha e de assaltantes nas redes sociais devido aos gestos em que aparecem nas sua fotos, especialmente as de perfil.
Outro aspecto importante, e que vem aumentando em número e gravidade, é a participação de meninas e mulheres dentro na vida criminal. Elas, em um primeiro momento, se envolvem para chamar a atenção das mães ou por que já são filhas de mulheres sem moral, criadas sem a presença dos pais, com vários parceiros sexuais e sem a mínima noção de valores como o bem, o certo e a verdade, além de usuárias de drogas. Em um segundo momento se envolvem em relacionamentos emocionais e sexuais com membros de gangues e criminosos, sendo que quanto mais perigoso for o indivíduo maior o número de parceiras (mulheres ou meninas) que giram em sua órbita. Por razões óbvias, já que o criminoso é sempre um egocêntrico e imoral, eles usam e descartam essa mulheres como meros objetos e, quando se sentem traídos ou enganados, costumam agir com extrema violência contra essas mesmas mulheres, que na visão deles, são "descartáveis".
Meninas envolvidas no crime. Situação comum.
Meninas envolvidas no crime. Situação comum.

Em um terceiro momento essas mulheres passam a ser ativas nas atividades criminais, seja levando drogas ou armas para comparsas do amante, seja para praticar como cúmplice roubos, acertos de contas e até assassinatos. É comum esse tipo de mulher praticar homicídios de maneira autônoma, ou seja, sem influência do seu amante, contra outras mulheres por ciúmes.
Sinais coletivos
Os sinais coletivos são onde os jovens criminosos, em um primeiro momento, vão buscar as suas inspirações e revalidar os seus contravalores como membros de um etos coletivo e ser aceito em grupo.
Um dos primeiros sinais coletivos para os criminosos, ainda na fase adolescente ou infantil, é a maconha e a sua subcultura.

Uso de maconha: Morte e sofrimento para o usuário e para a sua família.
Uso de maconha: Morte e sofrimento para o usuário e para a sua família.

A maconha foi trabalhada para substituir o cigarro como a droga de contestação dos jovens, que antes era o cigarro normal, e essa campanha foi bem sucedida.
Não vou entrar em pormenores dos terríveis danos causados para os usuários dessa droga e dos seus danos mais terríveis na sociedade devido ao tráfico, pois esse artigo ficaria demasiadamente longo, mas esses fatores são importantes também e devem ser levados em conta.
Hoje existem milhares de páginas de internet, Facebook e demais redes sociais exaltando a maconha e o seus efeitos, inclusive espirituais.
Além de bandas de música (Planet Hemp, Skank), existem estilos de música (regaee), músicos (Marcelo D2, Bob Marley) dedicados a causa, roupas e até mesmo um deus da maconha: Jah.
Além de uma campanha maciça de marketing em todas as formas de mídia, a cultura da maconha tem os seus adereços, penteados e jeitos próprios, que são facilmente identificáveis aos demais usuários e traficantes.
Essa é a porta de entrada para o mundo e a vida criminal, é o elo que une os jovens de todas as classes, meninos e meninas, aos traficantes, membros de organizações criminosas e assassinos. Pois é no momento de comprar a droga que se tem contato real com os traficantes e membros do crime organizado, iniciando uma relação de consumo em um primeiro momento e de amizade e companheirismo em um segundo.
Em todos os jovens pesquisados, mais de 300 por este Oficial nas redes sociais, a grande maioria adolescentes de Brasília, foram encontrados os mesmos sinais e símbolos e a mesma sequência de fatos narrados acima.
Conclusão
O tema desse estudo, no caso, cultura criminal, cobriria, facilmente, um livro extenso, sendo por isso, mostrado aqui apenas uma pequena parte da forte cultura criminal que está corrompendo os jovens da sociedade do nosso país e do mundo.
Essa cultura sempre existiu e vai existir sempre, o que deve ser combatido é a sua propagação indiscriminada na população em geral e de maneira mais intensa e dolorosa na juventude, que por não estar madura o suficiente, não consegue discernir os riscos mortais de algumas condutas, músicas, gestos e roupas, que levam, indubitavelmente ao caminho da morte e destruição.
Os operadores de segurança pública tem por missão manter a ordem e a paz na sociedade o máximo possível, sendo por isso a sua ação no meio cultural fundamental, que é, muitas vezes, a causa desses males, alertando a população para os perigos e as origens dessas mentiras que destoem as vidas e famílias de milhares de pessoas, principalmente de jovens, todos os anos no Brasil.

Fonte da foto de capa e das demais fotos:
Referências:
Apostila de tatuagem da PMSP, feita pelo CB PM AGUILERA - ROCAM 38.
Monografia de CEZINANDO VIEIRA PAREDES, abril de 2003, Universidade Federal do Paraná: "A INFLUÊNCIA E O SIGNIFICADO DAS TATUAGENS NOS PRESOS NOINTERIOR DAS PENITENCIÁRIAS".
FONTE:http://blitzdigital.com.br/

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