10 dezembro 2013

GCM Luciano: O velório, o enterro e a vida - Atualizado

09/12/13 - Por Dennis Guerra: Hoje compareci ao enterro do colega de corporação Luciano - covardemente assassinado em uma suposta tentativa de roubo de sua motocicleta. Ao chegar no local com a equipe à qual pertenço (GCMF Daniela e GCM Márcio Alves) muitos integrantes da Guarda Civil Metropolitana já se encontravam pelo Cemitério da Saudade, no bairro de São Miguel Paulista - Zona leste de São Paulo. Além disso, a imprensa também estava no local


Clique na imagem e assista ao vídeo:




O velório

Em ocasiões tristes como essas, fica difícil até mesmo cumprimentar as pessoas. Dizer um simples bom dia torna-se tão difícil que dá um nó na garganta. Perguntas fáceis como tudo bem? ou como está? parecem não combinar com o momento.

Enfrentados os primeiros momentos, segue-se o caminho até o velório. Ali, onde amigos e familiares tentam entender o porquê de acontecimentos tão cruéis, parece-me um campo proibido: poucas vezes em minha vida me aproximei do caixão. O Inspetor Chicarone pediu para que eu me aproximasse.





Me colocando próximo aos pés, encarei o seu rosto adormecido. Trazia consigo um semblante tranquilo. A sua esposa, debruçada sobre o corpo, chorava e se perguntava: “Por que?! Por que?!

Ao olhar o meu colega Márcio Alves, ela dizia: “Ele tinha um uniforme igual ao seu. Tinha o nome dele no peito... sempre que eu olhar um GCM vou lembrar dele...” E finalizou: “Por que? Por que tiraram você de mim... por que fizeram isso com a gente?”

Antes de alagar os meus olhos em lágrimas, saí do local. Percebi que outros colegas não conseguiam suportar a dor e simplesmente choravam...

O enterro

Antes do cortejo, nos dirigimos a um local próximo à sepultura. Lá, desembarcamos de nossas motocicletas e as posicionamos para tentar promover algum tipo de homenagem - pelo menos dentro daquilo que nos seria permitido. Coube ao Inspetor Laudino tecer algumas palavras de conforto à família e amigos.

O Inspetor Pina ordenou: “Atenção efetivo da Guarda Civil Metropolitana: Sentido... Apresentar Armas!”

Ao Descansar Armas, olhei ao lado: meus colegas choravam... A Inspetora Thaís se aproximou e conversou por alguns instantes. Ela também chorava.

A vida

Ao final, subimos em nossas motocicletas e enquanto nos dirigíamos à saída, ouviu-se um grito: “Daniela, Daniela”! Era uma garotinha - sobrinha distante da GCMF Daniela. Essa garotinha tinha parentesco também com o GCM Luciano. 

“Não deixa isso acontecer com você também, promete?” a menina dizia.

As duas se abraçaram e choraram.

Hoje, muitas pessoas choram.




Por CD Dalton Lima e Alessandra Amorim - facebook


Um Minuto de Silêncio - Câmara Municipal de São Paulo




3 comentários:

  1. Parabéns Guerra pela reportagem, demonstra não o lado jornalístico, más o lado humano que todos nós muitas vezes, nos esquecemos. Que nossos irmãos não sejam esquecidos. Que suas famílias não sejam desampardas por nós.

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  2. Obrigado Alessandra. Escrever um texto como este é um tanto perigoso: alguém poderia imaginar que seria uma 'certa vontade' de demonstrar pessoalidade no fato, mas não é isso. Quero mostrar justamente o sentimento de tristeza em momentos assim... porém, por mais que se escreva, nunca conseguiremos.

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  3. Coronel Telhada, esse sempre terá meu voto.

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