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01 dezembro 2013

‘Big Brother’ da GCM não tem câmera

01/12/13 - Os equipamentos do ônibus que seria usado para combater o tráfico na Cracolândia não funcionam DIÁRIO DE S. PAULO: Estacionado na Praça Júlio Prestes, no Centro de 


São Paulo, desde o dia 19 de novembro, o micro-ônibus comprado pelo governo federal com a promessa de ajudar a  GCM (Guarda Civil Metropolitana) a combater o tráfico e uso de drogas na região da Cracolândia virou um objeto de decoração no cenário degradado tomado por usuários de crack. O principal equipamento do veículo, as câmeras de segurança, simplesmente não funcionam. Os policiais tampouco receberam os teaser (armas de choque) e sprays do projeto Crack, é possível vencer.

Além do  veículo, que conta com 20 câmeras externas para vigiar os traficantes e usuários de drogas, a Guarda Civil Municipal deveria ter recebido duas motos, dois carros,  250 teasers e 750 sprays. As imagens não são captadas porque ainda não foi feito o convênio com a  Eletropaulo para ligar os equipamentos à rede de energia. São cinco microcâmeras na parte de fora e mais duas internas inutilizadas. São Paulo recebeu cinco kits para a GCM, um para a Polícia Militar e um para a Polícia Civil.






















O micro-ônibus comprado pelo governo virou um objeto de decoração

Somente o micro-ônibus estacionado na Praça da Sé está funcionando completamente. A assessoria da GCM se negou, ontem, a  informar resultados básicos do projeto como, por exemplo, quantas pessoas foram presas desde julho.

O programa do governo federal em parceria com a s secretarias de Assistência Social e Segurança Pública do estado e  Prefeitura visa combater o tráfico de drogas, inibir novos usuários e  encaminhar os que estão nas ruas para tratamento.  Mas, para um guarda-civil entrevistado ontem pelo DIÁRIO,  a realidade é outra.

“Era para os assistentes estarem aqui, mas ninguém aparece. Só tem a PM e nós”, diz. O nome do guarda vai ser preservado a pedido dele, que tem medo de retaliação.

Desde janeiro de 2012, o Estado tenta combater o tráfico na região da Cracolândia, porém,  de acordo com moradores, o número de usuários cresce a cada dia. “Eu nunca vi este lugar como agora. Não aguento mais esta situação. Colocaram um ônibus virado de costas para o problema. Não querem enxergar isto aqui”, comentou Ana Lúcia Marques, 46 anos.

Alguns moradores de um prédio próximo à praça estão mudando do local por causa dos usuários. “Morei 34 anos neste local. mas  não dá mais”, reclama Hildo Luiz.

Os usuários tomaram novamente as ruas da Luz e moram em barracas improvisadas. São mais de 20 espalhadas pela praça.  “Não temos muito o que fazer. É uma loucura este local.

Os usuários não chegam perto do ônibus. Ficam eles lá e nós aqui”, conta o guarda-civil.

GCM diz que instalação ainda está no prazo

A assessoria de imprensa da GCM (Guarda Civil Metropolitana) confirmou ontem, em nota, que o micro-ônibus instalado na Luz não foi totalmente inaugurado, mas esse trabalho ainda está dentro do prazo, sem especificar quando ele vai ser terminado.

O órgão de segurança do governo municipal admite que as câmeras não foram ligadas por questões burocráticas, mas não confirma se realmente falta a assinatura de um convênio com a Eletropaulo, a concessionária de energia elétrica. 

Também informa que São Paulo foi a primeira cidade a receber os equipamentos do governo federal e, por isso, os kits ainda estão em fase experimental. Não há qualquer resposta sobre o fato dos teasers e sprays não terem sido entregues aos GCMs.

A nota   não informa também quando termina esse período de  experiência tampouco quando todo o programa vai estar em funcionamento. Sobre a instalação dos outros três micro-ônibus, a resposta é que  não há data certa para isso acontecer.

A Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar não confirmaram se já receberam os kits nem onde os mesmos serão instalados.

Análise

José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança Pública

Investimentos errados

O governo federal sempre quer mostrar serviço, mas não faz as melhores escolhas. Colocar kits para monitorar os usuários não vai resolver o problema do crack em lugar nenhum. É preciso ir além disso, com políticas públicas.

É necessário união entre os governos federal e estadual, secretarias de Assistência Social e organizações sociais para tentar combater este mal. Acredito ser preciso colocar a mão na massa porque a realidade vai além da tecnologia. É preciso ouvir os moradores da região, os profissionais que trabalham diretamente com essas pessoas e, principalmente, os usuários.

Também é necessário investir em recursos hospitalares e de pessoas para, assim, conseguir detectar onde está o problema e poder combatê-lo. Internar quando for preciso e, principalmente, ouvir. Investir em equipamentos tecnológicos não é a melhor solução, principalmente quando não funcionam. O governo gosta de gastar dinheiro com coisas que não precisa.

A GCM tem uma equipe de monitoramento boa e eficiente, não é preciso gastar dinheiro com um ônibus que não serve para nada. São Paulo está se adaptando com este problema. Resolvê-lo é um trabalho de formiguinha, mas desde que sejam feitos investimentos em coisas certas.

O governo federal adora rotular programas e, na prática, a situação é outra. A contribuição de um micro-ônibus de monitoramento é praticamente zero.

Lugares onde serão entregues os Kits

O projeto visa atender as regiões com maior número de tráfico de drogas. Foram entregues kits contendo  250 teasers e 750 sprays, armas consideras de menor potencial ofensivo. As polícias Militar e Civil não informaram quando receberam e para onde vão esses equipamentos. A Guarda Civil disse que armas serão destinadas aos agentes que trabalham na Praça da Sé (instalada desde outubro), Luz, República, Metrô Saúde e Avenida Senador Teotônio Vilela. O investimento total foi de R$ 22 milhões

Moradias improvisadas no meio da praça

Os usuários de droga da região da Luz fizeram moradias improvisadas com barracas. Os moradores dos prédios afirmam que não conseguem mais dormir

POR: Amanda Gomes 30/11/13
Especial para o DIÁRIO



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