O novo policial

17/10/13 - Há, nas polícias brasileiras, o surgimento de um novo policial. Um profissional que se distancia significativamente do estereótipo geral estabelecido pela sociedade brasileira como o “perfil” do policial: leigo, intransigente e fechado. Esse novo sujeito é protagonista de suas opiniões, decisões e posturas: sabe dizer “não” e “sim” a ordens e determinações



institucionais após refletir sobre elas. Muitos deles, antes de ingressar nas polícias, já possuíam certa experiência afetiva e crítica: é comum, mesmo em corporações que não exigem ensino superior, que já tenham cursado faculdade – alguns deles possuem mais de uma graduação, ou pós-graduação. Se não fizeram isso antes de ser policiais, de algum modo estão se inserindo e se relacionando com a academia.


“TALVEZ VOCÊ NÃO ESTEJA VENDO (OU NÃO QUEIRA ADMITIR QUE VÊ), MAS ELES SÃO CADA VEZ EM MAIOR QUANTIDADE”


Boa parte possui claro engajamento político, partidário ou não, e milita em defesa das causas de sua categoria, pois se reconhece enquanto parte de um corpo profissional que é submetido a condições que não lhe agradam. Fazer parte desse “corpo”, entretanto, não garante que tenha “amor corporativo” nos moldes que tradicionalmente se via, de inquestionável subserviência. Para ele, fazer o bem a sua corporação é transformá-la, reinventá-la e torná-la adequada aos desafios que precisa enfrentar, inclusive tratar com dignidade seus integrantes.

Estão sempre atentos ao que estabelece a técnica policial e a legalidade: sabem muito bem que o uso da força é atributo da atividade policial, mas compreendem que há limites para isso. Esses policiais são ativos usuários das mídias sociais, onde comentam notícias, criticam desmandos públicos e publicam suas versões sobre fatos envolvendo suas corporações – a despeito do posicionamento institucional.

São homens e mulheres que admitem publicamente seus risos e choros, suas incompreensões e confusões, suas dificuldades e insatisfações. Talvez você não esteja vendo (ou não queira admitir que vê), mas eles são cada vez em maior quantidade.

Ah… Eles estão mudando as polícias!


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Por Dennis Guerra