06 setembro 2013

'Protegi a privacidade dos usuários', diz invasor do perfil de Zuckerberg

06/09/13 - Encaminhada por Renata Guazzelli: 'Fiz a coisa certa', disse Shreateh, que avisou ao Facebook sobre a falha. Ao G1 afirmou ser fã de Snowden; internautas já doaram US$ 13 mil a ele. O palestino que invadiu o perfil de Mark Zuckerberg no Facebook, para expor uma falha de segurança 


da rede social, não se arrepende do que classificou “jeito inteligente” de provar que estava certo, mas não esconde a frustração por não ter recebido a recompensa paga pela empresa a pesquisadores que expõem bugs do site.




















Palestino Khalil Shreateh diz ter hackeado conta de Mark Zuckerberg para mostrar uma falha no sistema. (Foto: Reprodução/Khalil Shreateh/Facebook)


“Eu fiz a escolha certa e protegi a privacidade de todos os usuários”, disse Khalil Shreateh, em entrevista ao G1 pelo Facebook. O hacker de 30 anos, que afirma gostar de futebol, programação e design em seu perfil na rede social, descobriu uma falha na rede social que permitia a publicação nos murais de outros usuários, como se fossem os donos das contas. Ele reportou a falha ao programa de identificação de erros do Facebook em agosto, mas não foi ouvido.


"Se algum outro tivesse descoberto esse bug e vendido no mercado negro, o Facebook poderia perder muito dinheiro, porque eles [hackers] poderiam fazer spam e golpes e também anúncios sem pagar nada ao postar nos perfis de celebridades e famosos", disse Khalil.

Para provar a existência da falha, Khalil invadiu o perfil de Zuckerberg e postou uma mensagem no mural do presidente-executivo e um dos fundadores da rede social.

“Primeiro, desculpa por invadir sua privacidade e postar no seu mural. Eu não tive escolha depois de todos os reportes que eu mandei para o time do Facebook”, escreveu Khalil no mural de Zuckerberg na ocasião. O hacker chegou a publicar um vídeo explicando a falha, com legendas em inglês e em árabe (Veja aqui).

Mesmo assim, ainda curte a companhia. “Eu admiro mesmo a companhia, assim como admiro todas as pessoas [do Facebook].” Shreateh também é fã de Edward Snowden, o ex-agente da agência secreta norte-americana CIA, que vazou documentos sobre os programas de ciberespionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).

Especializado em sistemas de informática pela Al-Quds Open University e com passagem Birzeit, ambas na Palestina, ele diz que ficou “frustrado” por não receber a recompensa do Facebook. Se a rede social tivesse reconhecido a falha, o palestino poderia ter recebido, ao menos, US$ 500, prêmio pago aos desenvolvedores que encontram falhas na rede social –em três anos, o site diz ter pago mais US$ 1 milhão em recompensas.

“Mas agora eu me sinto bem depois de ler os comentários no site”, diz. Ele se refere à vaquinha on-line, criada no site GoFundMe por Marc Maiffret, especialista em segurança da empresa Beyond Trust. Até agora, 17 dias após o início da arrecadação, a meta de US$ 10 mil já foi batida e foram levantados mais de US$ 13 mil. “Isso é bom para começar uma nova vida, já que eu tenho uma bem complicada”, diz que perdeu os dois pais.




















O palestino Khalil Shreateh, de 30 anos, que hackeou a conta de Mark Zuckerberg no Facebook. (Foto: Nasser Shiyoukhi/Associated Press)

Por enquanto, os planos são se concentrar na criação de uma empresa de segurança digital, afirma o hacker. “Antes, eu tenho que terminar de programar tudo”, diz. Mas quando? “Em breve, ‘inshallah’”, ou, com a tecla SAP ligada para a tradução do árabe, “Em breve, se Deus quiser”.

Helton Simões GomesDo G1, em São Paulo


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