01 setembro 2013

Entre a razão, a sensibilidade e a proteção


01/09/13 - Profissionais: A incerteza de saber se irão voltar para casa é um dos receios que rondam a rotina de mulheres que escolheram o combate ao crime e a segurança pública como profissão. Sem deixar a feminilidade de lado, elas são duronas, firmes e conciliam a vida de policial com a doçura, os desafios e as alegrias de suas vidas particulares, com maridos, filhos, netos... E muita fé.





"Temos que ser firmes e fortes quando é necessário", declara Jacira Maria Barboza de Souza, 44 anos, dos quais 17 são dedicados à Polícia Militar. A mãe de Talita, 25 anos, e Stephani, 22, está encantada com o nascimento da primeira neta, Sofia, que tem pouco mais de um mês de vida. "É maravilhoso ser avó. Não vejo a hora de chegar em casa para encontrá-la", derrete-se a soldado com um belo brilho no olhar.

Jacira conta que sempre quis ser policial - e teve apoio de amigos e familiares em sua decisão. Como se interessava pelo trabalho comunitário e social desenvolvido pela corporação, teve a oportunidade de atuar durante 8 anos no Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd).

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"Foi gratificante orientar crianças e famílias sobre as drogas e a violência, compartilhar um pouco o lado humano de ouvir os problemas, mostrar o que está errado e tentar ajudar", declara a soldado, que é considerada uma "mãezona" pelo jeito sensível e carinhoso de lidar com as pessoas.

E para essa mãezona, uma das preocupações constantes é com a segurança da família diante da violência que atinge a sociedade. "Tenho muito receio porque hoje a maldade está em qualquer lugar", afirma Jacira que é uma das 52 mulheres policiais do 11º Batalhão de Polícia Militar do Interior.

Jacira reconhece que trabalhar com a iminência de crimes, acidentes e tragédias não é nada fácil. "O receio de que aconteça algo faz parte da nossa rotina. O medo de sair de casa e não saber se iremos voltar acontece, mas temos que encarar e nos apoiar na fé", diz a soldado, evangélica, que prefere não comentar sobre as experiências ruins na profissão. "Já passou".

Dona de necessária inteligência emocional, a soldado garante que, diante de situações perigosas e criminosos, a razão é quem comanda seus atos. "Se a pessoa fez algo errado ela terá que pagar. Temos que agir com profissionalismo e colocar em prática todo o aprendizado."

Independentemente da rotina, seja na parte administrativa ou nas operações policiais externas, Jacira não se considera entre as mulheres mais vaidosas, mas procura manter a feminilidade à seu jeito, sem dispensar o batom e mantendo o penteado escondido no casquete. Para cuidar da saúde e se preparar para o inesperado, investe na atividade física intercalando caminhada com corrida duas vezes na semana.

Rígida e firme nas decisões, Jacira garante que usa do equilíbrio e da amizade na formação das filhas, sem "militarismos". "Desde que minhas filhas eram pequenas eu e meu marido optamos por um relação de amizade, com muita conversa e respeito. Acredito que o diálogo e a confiança são essenciais."

Pode-se dizer que o exemplo da mãe inspirou a filha Stephani a seguir seus passos. Após trabalhar na Polícia Rodoviária Estadual, a jovem ingressou no Exército e atualmente é 1º sargento. "Estou muito orgulhosa. E mesmo que eu tenha que bater continência pra ela, não tem problema", brinca a soldado.

Segurança públicaLoira de olhos azuis realçados pela maquiagem. Assim, é que diariamente a guarda municipal Maria Tereza Celeguin Silva, 47 anos, defende a presença feminina na segurança pública - tanto que ressalta com orgulho o nome de Hilda Macedo, a primeira comandante do Policiamento Especial Feminino, criado na década de 50. "Infelizmente ainda somos minoria na segurança, mas as mulheres vêm conquistando seu espaço e devem mostrar sua força", opina.

Com postura firme e olhar sempre atento, ela está na Guarda Municipal de Jundiaí há 22 anos e é uma das 32 mulheres na corporação. Durante 18 anos, trabalhou na área administrativa, no setor financeiro. Há dois anos assumiu um novo desafio: atuar na Ronda Escolar. Ela comenta que na parte administrativa o trabalho é mais intelectual.

"Trabalhamos muito, mas ninguém vê o resultado", lamenta. Já na parte operacional da GM, aponta como diferencial o resultado imediato de sua atuação. "No início, como toda mudança, fiquei um pouco apreensiva, mas com o tempo me identifiquei na nova função e é um prazer poder contribuir com a segurança da sociedade, na prevenção e no combate à violência, além de cuidar e orientar os jovens. O simples fato de ajudar uma pessoa a atravessar a rua já me deixa feliz", declara a bem-humorada GM.

No entanto, admite que atuar nas ruas não é tarefa nada fácil. "Nós ficamos muito expostos. Temos somente dois olhos, mas são muitos os olhos que nos observam", afirma. Para driblar seus medos e receios, conta com o apoio dos filhos Helber, 22, e Carla, 20, e do atual marido, que também é GM e atua na Ronda Escolar. "Meus filhos sempre tiveram orgulho de ter uma mãe guarda municipal. E o meu marido é minha fortaleza, meu referencial", derrete-se.

Sobre a cumplicidade de ter um companheiro de trabalho em casa, ela admite que há o lado bom e o ruim. "Já passamos por momentos de estresse e tensão juntos quando trabalhávamos no setor administrativo. Aquela coisa de levar problemas do trabalho para casa e misturar com os problemas domésticos. Agora, procuramos administrar melhor as situações, buscamos um equilíbrio para não interferir na nossa relação."

Para Maria Tereza, a fé também é essencial na rotina nas ruas. "Sou evangélica, mas independentemente da religião, nós precisamos ter fé para tocar nossa vida e enfrentar os desafios. E eu tenho muito orgulho da profissão que escolhi". 

Ellen Fernandes, do JJ Regional

Fotos - Rui Carlos: Fonte - Portal JJ - 01-09-2013

Matéria reproduzida emBlog do GM Perboni

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