05 abril 2013

Afinal de contas, quem está no topo da cadeia alimentar?


Por Dennis Guerra: A revista Época São Paulo dessa semana vem com uma matéria muito interessante sobre a Guarda Civil Metropolitana: 

Em busca de uma Nova Cara: Depois de episódios que geraram denúncias de mau comportamento, a Guarda Civil Metropolitana quer encontrar o seu papel na Segurança Pública. A mudança pode melhorar a imagem da corporação.



Vamos ao texto:

“Um semblante mais amigável já pode ser notado em parte dos 5 mil agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que fazem ronda em parques, escolas e ruas da capital (...)”

O que mais me chamou a atenção, e que foi motivo de discussão entre alguns integrantes da corporação, foram as palavras de Daniela Skromov de Albuquerque, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo:

“Eles tentam imitar a Polícia Militar. Quem não prefere estar no topo da cadeia alimentar?”

VEJA AINDA: 

Ainda na matéria, o coronel da reserva José Vicente da Silva Filho, especialista em segurança pública, afirma:

“(...) Embora andem com arma de fogo e tenham poder para solucionar pequenos delitos, como briga entre vizinhos, perturbação do sossego e roubo de bicicletas, seus membros não tem função de polícia. O modelo paulista é diferente do americano. Nos Estados Unidos, a polícia é municipal, e a figura do guarda não existe. “Lá, o chefe de polícia é o prefeito, aqui é o governador.(...) O ideal aqui é que a Guarda trabalhe em sintonia com outras forças de segurança. (...)”


Vamos aos comentários:

À bem da verdade, as guardas municipais não tentam imitar as polícias militarizadas. O que acontece na realidade é que em muitas cidades do país as polícias militares não se fazem presentes como as GCMs. Qual o resultado disso? O primeiro combate ao crime (de modo geral) ocorre através das instituições municipais. Dessa maneira, as GCMs atuam de forma mais incisiva na segurança pública. Porque então temos poucas informações do trabalho das guardas municipais, principalmente nas regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos? 

Apoio à vítimas de Incêndio na Comunidade Moinho - SP (Dez/2011)
Fonte/foto: Facebook


Conhecimento de Marketing seria a minha primeira opção de resposta. A segunda seria espaço na mídia convencional.

Querer estar no topo da cadeia alimentar me parece um tanto depreciativo. Até mesmo porque, quando vemos outras forças de segurança assinando convênios para agir com bases no poder de polícia municipal, no caso a Operação Delegada, percebemos que existe grande possibilidade da cadeia alimentar defendida pela Sra. Daniela já ter se invertido há muito tempo.

Também achei interessante a afirmação ‘roubo de bicicletas’. No Código Penal não existe artigo específico para roubo de bicicletas, e sim para Roubo. Mas gostei do relato sobre a diferença entre o modelo paulista e o modelo americano, apesar do texto citar que a GCM foi criada baseada no modelo londrino. Veja que interessante:

Se nos Estados Unidos o chefe de polícia é o prefeito e no Brasil é o governador, podemos entender pelo menos três coisas:

1 - Quando alguns especialistas diziam que as GCMs não poderiam atuar na segurança pública, pois os prefeitos utilizariam as corporações como ‘guardas pretorianas’, ou seja, da maneira que lhe aprouver, cai por terra. Ou o modelo americano apresentou essas discordâncias?

2 - Talvez aí esteja uma das causas para a crise na segurança pública promovida pelo Estado. A distância entre o governador e o cidadão fica cada vez maior. Analisando um cenário em quê o prefeito é o chefe de polícia, seria natural ele conhecer de maneira mais profunda os problemas de sua cidade.

3 - Discordando do especialista, existe sim a figura do guarda no modelo americano. O que não existe é a figura militar na segurança pública daquele país. 


Enfim...



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12 comentários:

  1. Guerra, infelizmente tive o desprazer de ler esta matéria, e mais uma vez, fomos massacrados indiretamente por pessoas que nem deveriam dar opiniões sobre nossa GCM.Agora, a pior parte, foi o roubo de bicicletas mesmo. A partir de agora quando um municipe me solicitar dizendo que foi roubado, vou perguntar se foi sua bicicleta, pois senão, não poderei fazer nada.Tambem segundo o texto, não podemos separar briga de casais, só de vizinhos.Nunca li tanta besteira em uma mesma matéria!

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  2. Relaxa Mikalkenas, o especialista se enganou: não existe o artigo Roubo de Bicicletas no Código Penal. Continua fazendo o seu ótimo serviço. Parabéns!

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  3. Prezado Guerra e Amigos

    Como já havia dito,nosso País mantem ainda os estilo militar de polícia,não só pela suposta extinta ditadura,cada vez mias presente.Ocorre que no capítulo da Segurança Pública,não existe à figura do município e muito menos do prefeito.Por uma questão de meia dúzia,êles (as polícias legalistas:Federal,Civil.Militar e Bombeiros)pretendem manter à Segurança Pública instável e maquiada com greandes efetivos,e ineficiência no trato com à população.Enquanto não ALTERAREM O CAPÍTULO 144 DA cONSTITUIÇÃO E INSERIREM OS MUNICÍPIOS NO CAPÍTULO DA SEGURANÇA PÚBLICA,SERA INFRUTÍFERA QUALQUER TENTATIVA.AS GUARDAS ESTÃO DESENVOLVENDO BEM SEU PAPEL NA SEGURANÇA,BASTA APENAS BRASÍLIA ATRAVÉS DE NOSSA PRESIDENTA RECONHECER ESTA REALIDADE,ASSINANDO À REGULAMENTAÇÃO DAS GUARDAS,BEM COMO TUDO QUE ENVOLVE OS MUNICIPIOS,POIS PARA ALGUNS SEGURANÇA É COMPETÊNCIA DE ESTADO...MAS DE UM ESTADO FALIDO,NEGLIGENTE E OMISSO PARA COM SEUS DEVERES COM O CIDADÃO...

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  5. Concordo Anton, valeu pela participação!

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  6. Boa tarde,

    não me espanto mais com uma excelente matéria, fico contente em acompanhar desde o inicio o crescimento do blog.

    quanto ao exposição da revista época, não a li, porém todos nós já sabemos o que acontece, Policiais militares que nem sabem distinguir um furto de roubo, mas aproveitam a exposição da mídia para atacar as Guardas, se as PM´s tivessem a disposição de atacar a criminalidade como fazem com as Guardas Municipais, não estaríamos na condição de insegurança atual.
    Já pelo lado das Guardas, a mídia não permite que alguem que conheça o assunto se manifeste, e quem o faz não conheçe ou não tem interesse pelo assunto.
    Quanto a Constituição, ela trás em seu art. 196 "a saúde é direito de todos e dever do Estado"; art. 205 "a educação, direito de todos e dever do Estado", assim como no art 144 "a segurança pública, dever do Estado", ou seja, o município tem responsabilidade sim.
    Não existe questionamentos quando o município abre uma escola ou posto de saúde, mas quando a Guarda atua sim. Claro jogo de interesse.

    Abraços
    Freire

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  7. Grande Guerra, como sempre inteligente, que otimo voce ser azul demonstrando toda a sua capacidade, não farei comentário sobre o cansado assunto, parabéns

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  8. Freire e Arruda, muito obrigado pela participação e comentários... abraços!

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  9. Também concordo que o real motivo é que as GCM's incomodam no bom sentido o e colocam em cheque a necessidade de um policiamento militarizado. Se não me engano ainda existem dois ou três países que possuem uma policia militarizada, e que por coincidência estão localizados na América do Sul..... precisamos acabar com essa briga inútil e que acaba elevando o número de crimes em praticamente todo o país. Parabéns Guerra pelo seu excelente trabalho na divulgação das informações sobre nossa Gloriosa Instituição. Continue a nos prestigiar com as informações e a divulgar a real CARA da GUARDA CIVIL METROPOLITANA, que como no modelo londrino tem caráter comunitário

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  10. Anônimo, muito obrigado pela participação e comentário. Abraços!

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  11. ROUBO - Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
    Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

    Não importa o artigo de lei ou a infração cometida, o importante é proteger a população por meio da repressão e prevenção, punindo quem deve ser punido.

    Se é Polícia Militar, Guarda Civil, Polícia Civil, Polícia Federal tanto faz, o povo precisa de segurança e não de "especialistas" que vivem atras de uma mesa cercado de livros e teorias que nunca levam a nada... Muito menos governantes fazendo reuniões que "decidem tudo e não resolvem nada".

    Está na hora de bater de frente com o criminoso sem maquiar informação pra mostrar pra sociedade que está tudo bem!

    Se ao invés de ficarem discutindo quem é mais ou menos isso ou aquilo, deveriam investir em treinamento especializado e armamento pesado pro agentes de segurança, não importa que seja!

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  12. Parabéns, Denis Guerra.

    Você rechaçou de forma elegante e com argumentos inteligente e apropriados para o debate contra o suposto especialista em segurança pública.
    Sabemos que certos grupos, estão mais preocupados em manter seus pequenos feudos do que prestar um serviço de qualidade a população.

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