Grupos cobram PM sobre rigor na abordagem de negros e pardos


Indignação surgiu após uma ordem de serviço no comando de Campinas. Pedidos foram feitos para esclarecer a ação considerada como racismo.


Grupos de direitos humanos e de igualdade racial cobram esclarecimentos sobre a atitude considerada de discriminação, após uma ordem de serviço do comando da Polícia Militar de Campinas (SP) ter solicitado rigor na abordagem de pessoas de "cor parda e negra". O pedido ocorreu após uma denúncia de moradores sobre a ação de suspeitos em assaltos a residências no bairro Taquaral, região nobre da cidade. A polícia lamenta a “redação infeliz de um documento” que proporcionou interpretações de natureza racista.
Um ofício de autoria do vereador Carlos Roberto de Oliveira (PT), popularmente conhecido como Carlão, com o apoio do Grupo Força Raça, foi encaminhado ao 2° Batalhão de Campinas (onde trabalha o responsável que assinou a ordem) e também para a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O ofício pede a divulgação dos procedimentos adotados nas abordagens policiais, estatísticas de crimes e também requer providências.
A solicitação descreve a determinação da PM como "abuso de autoridade" por parte do comandante. “O que nos preocupou foi tratar o caso como um mal entendido. Primeiro queremos esclarecimentos, já que o caso dá entender ser uma prática comum dos policiais”, afirma o vereador. Para Carlão, o detalhamento das estatísticas pode colaborar para a elaboração de políticas públicas para as minorias.
A presidente da Força Raça, Edna Almeida Lourenço afirma que o questionamento expressa também um ponto de vista preconceituoso sobre as abordagens policiais. “Temos casos em Campinas, como o que ocorreu no ano passado, de um universitário negro assassinado por policiais quando voltava para a casa. O caso ainda segue em tramitação, mas mostra a luta das famílias pelo direito a vida”, explica.
Administração

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social, que possui uma Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Cepir), divulgou uma nota sobre a ordem de serviço, que “informa que respeita o trabalho da Polícia, mas discorda da orientação, caso se confirme que a determinação foi, de fato, genérica”.

Ordem de serviço enviada pela Polícia Militar em Campinas (Foto: Reprodução EPTV)Ordem de serviço enviada pela Polícia Militar em Campinas (Foto: Reprodução EPTV)



Outro pedido

Apelo semelhante também foi feito pelo diretor presidente da Educafro, Frei David Santos, baseado na Lei da Transparência, que cobra explicações da polícia e pede a divulgação dos dados étnicos das pessoas que costumam ser alvo de abordagens policiais na cidade. O representante da entidade entregou a carta para o secretário-adjunto de Segurança Pública, Antônio Ponte, na tentativa de identificar se há prática de racismo durante as operações. “Devido a complexidade do pedido o secretário-adjunto se comprometeu a apresentar os dados até o dia 15 de fevereiro. Temos consciência de que a PM não emite orientações racistas e que o problema está concentrado na má formação dos policiais”, afirma Santos. Segundo o religioso, os policiais precisam de formação qualificada para lidar com diferentes perfis socioeconômicos e étnicos.

G1 procurou desde o início da manhã a SSP-SP para esclarecer a questão do prazo para as respostas da solicitação e até a publicação desta reportagem não obteve resposta. A assessoria da Polícia Militar, informou por meio de nota que os fatos estão sendo apurados administrativamente. “A Polícia Militar do Estado de São Paulo lamenta todo o reflexo gerado pela redação infeliz de um documento administrativo elaborado pelo comandante da  2º Companhia do  8º Batalhão de Polícia Militar do Interior, que proporcionou interpretações  de natureza racista”.



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Por Dennis Guerra