Guarda municipal carioca transpõe para nos quadrinhos as histórias do cotidiano





Armando Pó tem um nariz de platina de tanto cheirar cocaína. Mas o bandido sempre esbarra em Raimundo Fosco, um Guarda Municipal que combate a violência no Rio de Janeiro. Toda história de ação tem um vilão e um mocinho, é o caso destes dois personagens criados pelo cearense Marcos Antonio Paz, 40 anos. Poderia ser só mais um quadrinista em busca de um lugar ao sol se não fosse por um detalhe interessante. O autor também é um GM na vida real e traz para o papel inspirações do dia-a-dia.

--- Ironicamente, meu nome de guerra na Guarda Municipal é Paz. – brinca Marcos.



Mas vamos do início. Antes de ser guarda, o artista era ilustrador free lancer e trabalhava para agências de publicidade e jornais criando histórias em quadrinhos institucionais, caricaturas, cartazes e criação de personagens. Tanto pra agências como para empresas e jornais. Apesar disso, a instabilidade financeira colaborou para o seu ingresso na GM-Rio, com um emprego formal. No novo trabalho, o morador da baixada fluminense começou a se inspirar em algumas ocorrências reais.

----- Me baseio muito nos acontecimentos da cidade. O episódio "O Aprendiz de bombeiro" teve como base o fato de eu ter me deparado durante um patrulhamento com o incêndio de um ônibus praticado por bandidos. Já no episódio "A queda" eu fiz uma alusão clara a derrubada do helicóptero da polícia por criminosos, ocorrida aqui no Rio. Enfim, muitas HQs têm como referências fatos ocorridos no nosso cotidiano. Acho isso importante, pois cristaliza esses momentos, por mais duros que sejam, para gerações futuras, servindo quase como documento de uma época.




De fato, Marcos pega pesado em suas críticas ao "sistema" e, claro, ao comportamento de alguns PMs e delegados (corruptos, largados, violentos, etc). Ele não tem medo de que a corporação leve a mal que um guarda faça críticas a ela publicamente?

---- Não, não vejo problema. Nas HQs existe a crítica como existe o elogio, o reconhecimento. Coisas que a mídia e o povo dificilmente fazem, afinal, notícias ruins sempre têm mais destaque, seja nos meios de comunicação, seja na roda de amigos no botequim da esquina. --- explica o desenhista. --- Procuro ser imparcial,colocando nas histórias pessoas de carne e osso, com suas verdades e suas razões.

Outra característica marcante é que tanto o Fosco quanto toda a galeria de personagens são explicitamente cariocas. E o autor não vê o menor problema.

---- Fiz questão disso por gostar muito da cidade e pela sua riqueza tão diversificada de lugares, pessoas e costumes. Mas creio não haver o risco da falta de sintonia com leitores de outros estados apesar de alguns elementos das histórias serem típicos do Rio, como as gírias. Acho que essas particularidades não atrapalham, são até mais um elemento enriquecedor da HQ.

Por mais incrível que possa parecer, ele jura que não assistiu ao filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, que poderia ser apontado como uma inspiração. Mas elogia o longa-metragem Tropa de Elite, de José Padilha.

--- O filme mais corajoso que já vi por apontar o dedo pra muitas direções que antes ninguém apontava publicamente. Apesar disso não foi referência, pois o Fosco já vinha nessa linha há muitos anos. Mas ajuda como referência, claro.

Da mesma forma que ele não conhece o personagem Anjo da Noite, do niteroiense Sandro Araújo que, como ele, também está do lado bom da lei. Agente da Polícia Federal, ele criou um personagem que é seu alterego e lançou em livro. Isso sem falar no blog, onde ele comenta assuntos diversos relacionados à PF.

Claro que a intenção de Marcos Paz também é publicar as histórias do Fosco em livro, já que suas aventuras são produzidas nas horas vagas como um hobby. Da mesma forma, ele as divulga na internet e aguarda uma oportunidade maior.

---- Talvez seja cedo ainda, pois o site entrou no ar em dezembro último. O que busco inicialmente é o reconhecimento do Fosco diante dos leitores. É muito bom chegar em casa e ver a caixa de mensagens dele com algum comentário de alguém que você nem conhece.

Fonte: JB On Line 

Encaminhado por Cantelli


COMENTÁRIO DO AUTOR DO BLOG:

Absolutamente maravilhoso o trabalho do guarda municipal e quadrinista Marcos Antônio Paz! Enquanto alguns deixam-se desmotivar ou deixar de reconhecer a sua importância à sociedade, profissionais como o GCM Paz fazem exatamente o contrário. Tentarei até mesmo conseguir um exemplar da revista.


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Um comentário:

  1. PARABENS PELO TRABALHO DESTE ARTISTA E IRMÃO DE ARMAS. NA NOSSA FAMILIA AQUI EM SÃO PAULO TAMBEM TEMOS ARTISTAS MUITO BOSNS, UM EXEMPLO É O PRÓPRIO AUTOR DESTE MEIO DEMOCRÁTICO DE COMUNICAÇÃO.

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Por Dennis Guerra