Artigo: A Colméia e os Pequenos Poderes

Por Dennis Guerra

Imagine se fosse possível alguém, ao chegar próximo à uma colméia e não entendendo o seu funcionamento, determinasse à todas as abelhas que ao invés de voarem para recolher pólen para a sua produção diária de mel, passassem a carregar folhas para outros fins.

Fonte Foto: pequenacolmeia.blogspot.com



Sabendo que a natureza levou milhões de anos para criar os mecanismos de funcionamento e organização da colméia e seus indivíduos, por quais motivos tentaríamos mudar a sua natureza? Fato é que, se isso fosse possível, teríamos uma grande confusão entre todos os indivíduos dessa sociedade. (...)

Primeiro, a rainha receberia a nova ordem (provavelmente de maneira não tão conformista) e após perceber a imensa confusão que se daria, saberia que a sua missão seria uma verdadeira odisséia. Afinal, as abelhas recolhem pólen: deixem as folhas para as formigas!

Mas ordens são ordens!

As operárias, por sua vez, reclamariam... e ao final acatariam as ordens de sua rainha. E nesse mal-estar gerado pela falta de entendimento entre a natureza da abelha e o desejo da ordem cumprida, encontraríamos um campo fértil à disputa por 'Pequenos Poderes'.

Mas, afinal de contas, o que seriam estes Pequenos Poderes? É a falta de um objetivo maior na vida. Passamos a ficar preocupados com ninharias e esquecemos a grandiosidade do que nos cerca. Enquanto as abelhas estão carregando as suas porções de pólen, fazem-no com imensa satisfação e alegria, por entender que isso faz parte de sua natureza. Ao carregarem folhas e sentirem o peso daquilo que é de outro, passam a medir o seu esforço pelo (maior ou menor) esforço da abelha ao lado.

Aí, meu chegado, passam a cuidar mais do vida da outra do que da sua própria, disputando pela força e artimanhas a chance de satisfazer pequenos interesses. Interesses esses que não os da colméia.

E quais são os interesses de uma colméia? Produzir mel, não carregar folhas!


COMENTÁRIOS DOS VISITANTES DO BLOG:

Erika Genaro disse...


Olá Guerra,

Muito interessante sua metáfora, existe nesta estória várias linhas de pensamentos. Uma delas é a questão da rainha que ao receber uma ordem, delega às sua operarias sem ao menos questionar e até mesmo explicar a necessidade de seu trabalho junto à natureza e a importância dela em buscar o pólen tanto para fazer mel como para polinizar as flores Tomar pra si a responsabilidade de rainha e o dever de cuidar da sua colmeia. E outro podemos pensar na questão da identidade da abelha como um individuo dentro da sua colmeia, e a importância do papel social dela dentro do grupo. Um ser que não sabe pra que está lá, não saberá o que fazer quando tiver poder. O problema das abelhas é uma questão de identidade, a rainha não sabe que é rainha e as operarias não saber qual é a sua real função, e ambas no fundo sempre quiseram ser formiga e não sabem a magnitude de seu poder como abelhas. Quem perde é a natureza que fica sem o mel e com um monte de flores espedaçadas.

Erika Genaro

7 de julho de 2012 01:44
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BloggerDENNIS GUERRA disse...
Boa noite Erika! Prefiro não fazer nenhum comentário após o seu ótimo texto... muito obrigado!

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2 comentários:

  1. Olá Guerra,

    Muito interessante sua metáfora, existe nesta estória várias linhas de pensamentos. Uma delas é a questão da rainha que ao receber uma ordem, delega às sua operarias sem ao menos questionar e até mesmo explicar a necessidade de seu trabalho junto à natureza e a importância dela em buscar o pólen tanto para fazer mel como para polinizar as flores Tomar pra si a responsabilidade de rainha e o dever de cuidar da sua colmeia.
    E outro podemos pensar na questão da identidade da abelha como um individuo dentro da sua colmeia, e a importância do papel social dela dentro do grupo. Um ser que não sabe pra que está lá, não saberá o que fazer quando tiver poder.
    O problema das abelhas é uma questão de identidade, a rainha não sabe que é rainha e as operarias não saber qual é a sua real função, e ambas no fundo sempre quiseram ser formiga e não sabem a magnitude de seu poder como abelhas. Quem perde é a natureza que fica sem o mel e com um monte de flores espedaçadas.

    Erika Genaro

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  2. Boa noite Erika! Prefiro não fazer nenhum comentário após o seu ótimo texto... muito obrigado!

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